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Irlanda:
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> 6.Normandos > Idade Média: A Irlanda salva a civilização
A expansão do Império Romano pelo continente europeu praticamente faz nascer a Europa moderna - ao impor a "Pax Romana" aos povos conquistados, os romanos influenciaram a formação de muitas culturas e nações modernas, moldando idiomas, sistemas de governo e de organização social, valores sócio-culturais e até mesmo os aspectos mais mundanos do dia-a-dia, como a administração pública e a organização urbana. Por todo o continente europeu - e também fora dele - a presença romana se fazia notar através de instituições como o Forum, os aquedutos, os circos, as estradas, as legiões, questores, tribunos e administradores, o latim, a urbanização. Mas não na Irlanda. Quando o Império Romano entra em colapso, deixa por toda a Europa romanizada um vácuo de poder; a fragmentação territorial e a já instalada desurbanização por conta do colapso econômico e administrativo das últimas décadas do Império são a primeira manifestação visível do que viria a ser a estrutura político-social da Europa feudal medieva. Mas não na Irlanda... Do cadáver administrativo do Império Romano brotaria por toda a Europa sua herdeira em termos de estrutura, influência e extensão - e, por que não dizer, até mesmo nome: a igreja católica apostólica... Romana. Beneficiando-se da 'conversão' do Império e das suas estruturas administrativas e físicas (as estradas que outrora serviam para o rápido deslocamento das legiões agora transportavam os missionários cristãos), aós a queda de Roma a igreja logo se estabeleceria como uma importante potência político-espiritual que, tal como o Império fizera antes, ditará as normas políticas, religiosas, culturais e até econômicas da nova e fragmentada Europa Medieval. Mas não na Irlanda... Por que a Irlanda manteve-se de fora deste processo continental? em primeiro lugar, como já visto, por seu literal isolamento geográfico; em segundo, porque a máquina administrativa do Império Romano jamais influenciou a sociedade irlandesa, que permanecia basicamente celta, apesar da conversão gradual ao cristianismo. Os diversos reinos e dinastias da Irlanda o século V - como os Clãs Uí Neill, Uí Briúin e Uí Dúnlainge e os reinos de Laigin, Ulaid e Airgialla, por exemplo - ainda preservavam um modo de vida e de política basicamente celta, inclusive colonizando e influenciando diversas regiões da Grã-Bretanha - notadamente, o sul do País de Gales e a Escócia. A própria palavra Escócia significa "terra dos irlandeses" (a partir do latim 'scotum', irlandês). Livre das mazelas que assolaram a Europa após a queda de Roma, a Irlanda se desenvolve sem tantos conflitos - e até mesmo a terrível 'Peste Negra' que dizimou a população do continente chega à Irlanda muito enfraquecida. O cristianismo contemplativo dos monges irlandeses e seus influentes mosteiros, onde toda sorte de manuscritos era diligentemente copiada e preservada, teria o papel de devolver à Europa clássicos da literatura grega e romana que, no continente, haviam sido destruídos pela intolerância da igreja de Roma e pela negligência gerada poir séculos de guerra, doença e fome.
Basílica de São Columbano em Bobbio, Itália Pois
é no século IX, durante o reinado franco de Carlos, o Calvo,
que brilha a luz de talvez a mais radiante mente irlandesa da Idade Média:
Johannes Scotus Eriugena, "João Irlandês,
filho da Irlanda" - um homem tão culto e poderoso que desafiava
abertamente os poderes constituídos tanto das coroas da França
e do Sacrossanto Império do Ocidente quanto do próprio papado:
"toda autoridade que não se curve à razão verdadeira
é fraca, e a razão verdadeira não precisa de autoridade
alguma a lhe sustentar". Criador de um sistema filosófico "Para leitores de um período posterior, mais intolerante, isto soaria perigosamente a panteísmo, a heresia segundo a qual Deus não apenas está em todas as coisas como é todas as coisas - ou seja, não há distinção entre Deus e a criação". Em plena Idade
Média, nas terras romanizadas e plenamente cristianizadas da França,
um irlandês ousava manter vivos os p A partir dos mosteiros da Irlanda e dos centros de ensino fundados por monges irlandeses no continente europeu, um pouco de cultura e de filosofia voltava a refrescar os viciados ares da cultura da Europa continental. Mas a paz e a prosperidade (material, espiritual e intelectual) dos mosteiros irlandeses logo seriam postas em cheque pela ameaça que vinha do mar, em grupos de hábeis navegadores e ferozes guerreiros: os vikings. |
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