
Arte
Celta
"Os artistas
clássicos preferiam a simetria e a ordem, mas os celtas buscavam
inspiração na infinitamente sutil mutabilidade da natureza."
- Juliette
Wood, The Celts: Life, Myth and Art

A arte celta
é arrebatadora. Os característicos entelaçados,
com seu ir e vir infinitos, parecem seduzir nossos olhos e conduzi-los
por uma dança que enebria os sentidos e desperta a alma. Seja
nos manuscritos medievais irlandeses ou nas intricadas peças
em metal da Idade do Ferro européia, a arte celta se mostra sempre
fascinante, sendo costumeiramente descrita como 'uma das maiores glórias'
da Europa pré-clássica'.
Como
ressalta a Profa. Juliette Wood no parágrafo inicial desta página,
o principal componente da arte celta é a natureza e suas formas.
Figuras vegetais, zoomórficas e antropomórficas se fundem
num contínuo hipnótico: a retratação não
é objetiva e realista como na arte clássica, mas subjetiva,
sutil, surreal, quase bizarra. Até os mais mundanos objetos -
espadas, escudos, caldeirões, jarros, cintos e elmos - como o
de Agris, França, séc. IV a.e.a. (à esq.)
ganhavam uma aparência por si só épica e engrandecedora.
O contato cultural
com gregos e etruscos determinou uma alteração na arte
celta, identificada pela transição do período Hallstatt
para o La Tène. O primeiro, caracterizado por figuras geométricas
como linhas paralelas e círculos concêntricos, apresentava
poucas representações humanas ou de animais. Já
no segundo, esses temas passam a dominar - a arte La Tène é
uma bênção para os olhos e para a alma, e sobrevive
através das eras.
As
diferentes fases da arte La Tène - 'estilo Waldalgesheim', 'estilo
plástico', 'estilo da Espada Húngara' - mostram sutis
evoluções do mesmo tema, e ganham nova vida nos belíssimos
manuscritos produzidos nos mosteiros medievais da Irlanda - o mais famoso,
o conhecido "Livro de Kells". (Na reprodução
ao lado, os entelaçados celtas do período La Tène
são facilmente identificados. Perceba também a incrível
complexidade e simetria da imagem, numa figura de grande harmonia estética.)
É a partir
dessas diversas variações que artistas modernos recriam
e dão continuidade a um estilo de arte que, podemos afirmar,
já dura mais de dois mil anos - um testemunho da força
da arte e da cultura celta.
Abaixo, alguns
exemplos da bela arte celta de diversos períodos.

Escudo de
bronze, Wahsingborough, Inglaterra (séc. III a.e.a.)
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Torque
em ferro e prata, Trichtingen, Alemanha (séc.
II a.e.a.)
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Escudo em
bronze, Battersea, Inglaterra (séc. I)
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Jarro de
vinho, Basse-Yutz, França (séc. IV a.e.a.)
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Detalhe
- jarro de vinho, Basse-Yutz, França (séc. IV
a.e.a.)
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Broche de
Tara, Irlanda (séc. VIII)
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Cálice
de Ardagh, Irlanda (séc. VIII)
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Painel do
fundo do Caldeirão de Gundestrup, Dinamarca (séc.
I a.e.a.)
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Sino de
S. Patricio, Irlanda (Séc. VII)
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Decoração
em estilo La Tène
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Carruagem
ritualística em bronze, Strettweg, Áustria (séc.
VII a.e.a.) |

'Sadbh,
a Deusa-Corça", Jim Fitzpatrick, 1989
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Detalhe
da decoração em jarro de vinho, Besançon,
França (séc. IV a.e.a.)
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moderno com design celta
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