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Arte Celta
A arte celta é arrebatadora. Os característicos entrelaçados, com seu ir e vir infinitos, parecem seduzir nossos olhos e conduzi-los por uma dança que enebria os sentidos e desperta a alma. Seja nos manuscritos medievais irlandeses ou nas intricadas peças em metal da Idade do Ferro européia, a arte celta se mostra sempre fascinante, sendo costumeiramente descrita como 'uma das maiores glórias da Europa pré-clássica'. Como ressalta a Profa. Juliette Wood no parágrafo inicial desta página, o principal componente da arte celta é a natureza e suas formas. Figuras vegetais, zoomórficas e antropomórficas se fundem num contínuo hipnótico: a retratação não é objetiva e realista como na arte clássica, mas subjetiva, sutil, surreal, quase bizarra. Até os mais mundanos objetos - espadas, escudos, caldeirões, jarros, cintos e elmos - como o de Agris, França, séc. IV a.e.a. (abaixo) - ganhavam uma aparência por si só épica e engrandecedora.
Para
os celtas, a confecção de objetos não era meramente
uma atividade material, pois há também a dimensão
espiritual. Cientes disso, os artesãos de todas as áreas
e profissões honravam o deus ou deusa correspondente à sua
área de atuação. Hallstatt, La TèneQuando no século XIX a cultura celta passou a ser objeto de estudos acadêmicos, os celtistas da época identificaram uma forma de arte incomum em diversos objetos - lanças, escudos, espadas e outros artefatos - encontrados em grande quantidade nas margens de um lago, num vilarejo austríaco. Esse "novo" estilo artístico passou, então, a ser conhecido pelo nome do vilarejo: Hallstatt. Trata-se do primeiro estilo artístico identificado como plenamente celta, caracterizado por figuras geométricas como linhas paralelas e círculos concêntricos e com poucas representações humanas ou de animais. A arte celta do período Hallstatt espalha-se por praticamente todo o continente europeu e o sul da Grã-Bretanha - mas não chega à Irlanda. O contato cultural desses primeiros celtas com gregos e etruscos determinou uma alteração na sua arte, identificada pela transição do período Hallstatt para o La Tène, no qual passam a dominar as imagens zoomórficas, antropomórficas e vegetais, integradas às curvas, entrelaçados e espirais herdadas do estilo Hallstatt. A arte La Tène é a mais refinada expressão visual da Alma Celta, e é uma bênção para os olhos e para a alma – não por acaso, ela sobrevive através das eras.
As diferentes fases da arte La Tène - 'estilo Waldalgesheim', 'estilo plástico', 'estilo da Espada Húngara' - mostram sutis evoluções do mesmo tema, e ganham nova vida nos belíssimos manuscritos produzidos nos mosteiros medievais da Irlanda - o mais famoso, o conhecido "Livro de Kells". (Na reprodução ao lado, os entrelaçados celtas do período La Tène são facilmente identificados. Perceba também a incrível complexidade e simetria da imagem, numa figura de grande harmonia estética.) ASsim, os entrelaçados e espirais da arte Hallstatt, surgidos no coração da Europa no primeiro milênio antes da era atual evoluem para o estilo La Tène alguns séculos depois - um estilo tão vigoroso que perdura por diversos séculos e deságua na arte medieval da Irlanda. É a partir dessas diversas etapas e variações que artistas modernos recriam e dão continuidade a um estilo de arte que, podemos afirmar, já dura mais de dois mil anos - um testemunho da força da arte e da cultura celta. Abaixo, alguns exemplos da bela arte celta de diversos períodos.
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