Corvo cria ferramenta com arame para obter alimentoRobert Winkler - National Geographic News - 8 de Agosto de 2002
Os corvos da Nova Caledônia figuram entre as poucas aves que obtêm alimento com gravetos – uma forma de uso de ferramentas. Agora, três pesquisadores da Universidade de Oxford (Inglaterra) descobriram que um deles, uma fêmea que vive em cativeiro, foi ainda mais longe. Para conseguir alimento que estava fora de seu alcance, a fêmea de corvo diversas vezes apanhou um pedaço reto de arame e o entortou, criando um gancho. De acordo com os pesquisadores, que anunciaram sua descoberta na edição de 9 de agosto de 2002 da Science, este comportamento sugere que os corvos da Nova Caledônia “rivalizam com primatas não humanos em suas capacidades de reconhecimento de ferramentas.” Os corvos da Nova Caledônia que vivem livres realmente criam ganchos a partir de gravetos, mas a fêmea cativa fez algo totalmente diferente. “Até onde sabemos, não existe nenhum relato de qualquer espécie de animal que fosse capaz de construir um gancho a partir de material não natural, como arame, para solucionar um problema,” diz Alex Kacelnik, Um ecologista comportamental que co-assina o relatório com Alex A. S. Weir e Jackie Chappell. “O que surpreende em nosso corvo é que, diante de um novo problema, ela criou por conta própria uma solução,” disse Kacelnik. “Em seu hábitat, os corvos da Nova Caledônia criam ganchos a partir de ramos e gravetos, mas eles vivem em grupos sociais e seguem técnicas ancestrais para lidar com problemas que a espécie vem enfrentando há milhares de anos.” A fêmea, chamada de Betty, foi recolhida ainda jovem em Yaté, Nova Caledônia, em março de 2000. Desde então, ela compartilha de uma grande sala e de um aviário ao ar livre com Abel, um macho trazido ao laboratório em Wytham, Oxford, após passar dez anos num zoológico da Nova Caledônia. Uma trilha une a porta da sala à área de testes. As habilidades de Betty em produzir ferramentas foram percebidas acidentalmente durante um experimento no qual ela e Abel deveriam escolher entre um arame reto e outro curvo para ‘pescar’ pequenos pedaços de coração suíno, seu prato predileto. Quando Abel apanou o arame encurvado, Betty entortou o arame reto e usou a ferramenta para erguer um pequeno pote com o alimento em um tubo vertical. Este experimento foi a primeira vez em que os corvos lidaram com arame. Os pesquisadores então criaram um novo experimento para testar sistematicamente o espantoso comportamento de Betty. Eles colocaram um pedaço reto de arame acima do tubo para que cada corvo buscasse o alimento. Em suas dez tentativas bem sucedidas de pegar o alimento, Betty entortou o arame nove vezes, formando um gancho. Abel só conseguiu o alimento uma vez, sem entortar o gancho. Em quase todas as vezes Betty tentava pegar o alimento primeiro com o arame reto. Depois, ela formava ganchos de diversas formas inserindo uma das extremidades do arame entre as fitas adesivas usadas para fixar o tubo, ou segurando-o com os pés, enquanto entortava puxando a outra extremidade com o bico. Os pesquisadores afirmam que a criação de ganchos de Betty não pode ser atribuída à adaptação ou reforço de padrões comportamentais aleatoriamente gerados. E, uma vez que ela não dispunha de outros corvos para imitar, nãop tinha treinamento prévio com objetos artificiais e pouca experiência com arame, eles vêm seu comportamento como inédito e proposital. “Para solucionar um novo problema, ela fez algo que nunca havia feito antes,” disse Kacelnik. “Naturalmente ela deve ter explorado habilidades desenvolvidas em outras tarefas no passado, mas ela mostrou ser capaz de resolver um novo problema de forma criativa, através da reorganização de sua experiência”. No seu artigo na Science, os pesquisadores ressaltam que o feito de Betty – modificar propositalmente objetos para criar ferramentas sem dispor de experiência prévia – é praticamente inédito no mundo animal. O artigo cita um experimento no qual chimpanzés foram incapazes de desentortar um cano para passá-lo através de um orifício para recuperar uma maçã, até que fossem instruídos. Para Kacelnik, o fato de Betty valer-se de soluçõe criativas com base em experiências passadas pode ser prova de raciocínio inferencial. Alguns cientistas, ele afirmou, crêem que nem mesmo macacos possuem essa habilidade. Ainda não sabemos até onde Betty e seus parentes corvos da Nova Caledônia podem avançar nesse sentido, mas este caso em particular é estarrecedor,” afirma Kacelnik. Estamos muito curiosos para compreender a extensão e a natureza das adaptações cognitivas que possibilitam esse comportamento. Pode ser que esses corvos sejam até superiores a outras espécies na solução de problemas que não envolvam o uso de ferramentas. Estamos pesquisando.” (Tradução não autorizada – © 2004 Claudio Quintino) Notícia original em: http://news.nationalgeographic.com/news/2002/08/0808_020808_crow.html
Funeral de Corvos
O texto abaixo foi retirado de um site em inglês, e atesta um dos mais intigantes fenômenos comportamentais de corvídeos – o FUNERAL DE CORVOS. Em minhas andanças pela Inglaterra e pela Irlanda, já ouvira falar de tal comportamento, mas confesso que nunca havia dado crédito. Pesquisando o assunto, deparei-me com este relato supreendente que parece confirmar a veracidade de tudo o que eu ouvira antes. Os corvos nunca param de nos surpreender...
O som de muitos corvos gritando encheu subitamente o ar. Espiei pela janela e por toda parte podia ver corvos, talvez duas centenas deles. Estavam na calçada. Nos fios dos postes. Estavam sobre os troncos que delimitavam as vagas do estacionamento e também sobre as árvores. Quase oculto diante de um dos troncos, vi um corvo morto. Havia alguns corvos parados ao lado do corpo. O ruído continuou por cerca de um minuto quando, subitamente, um maestro invisível sacudiu sua batuta e a algazarra cessou. O silêncio era igualmente ruidoso. Segue-se uma pausa. Então, o maestro invisível novamente move sua batuta e ouve-se um grande farfalhar de penas, os corvos decolando e voando em todas as direções. Logo todos haviam partido, deixando seu companheiro sem vida aos elementos. Permaneci a observar em respeitoso silêncio; percebi que acabara de testemunhar algo que poucos já viram. Nos diversos artigos e livros que li sobre os corvídeos e seu comportamento, os autores não conseguem chegar a um acordo se o "Funeral dos Corvos" é verdade ou mito. O que podemos afirmar é que somente os corvos compreendem o significado desse comportamento. O termo "funeral" é para nós uma conveniência, uma forma de explicar o que parece óbvio. Contudo, enquanto não é editado um dicionário corvídeo-humano/humano-corvídeo, jamais saberemos qual é a verdade absoluta. O melhor, nesse caso, é observar e apreciar essa criatura altamente desenvolvida e os rituais que mantêm unida a sua "sociedade". No final de 1997, observei um evento similar numa rua movimentada. Consegui tirar algumas fotografias e uma gravação dos corvos. As aves ignoravam os carros que iam e vinham - levando pessoas que ignoravam o comportamento dos corvos. Texto © 1996, 2003, Carl Cook.
Versos Escoceses sobre Corvos
A tradição oral celta permanece viva nas terras da Grã-Bretanha e da Irlanda através de diversos poemas, costumes e práticas folclóricas. Um dos poemas nos fala de como a quantidade de corvos avistados juntos pode ser interpretada, como um oráculo:
12 Corvos um bom amanhã...
Corvo em diversos idiomas
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