Música Irlandesa

Sem música, a vida seria um equívoco.
~Friedrich Wilhelm Nietzsche

E sem a música irlandesa, a vida seria extremamente tediosa!
Afinal, o vigor e a energia da música tradicional da Irlanda é contagiante e influencia – direta ou indiretamente – muitos estilos e artistas modernos.

 

Esta seção de www.claudiocrow.com.br é dedicada justamente a isso: prestar homenagem à inspiração recebida da música das terras irlandesas - onde quer que sejam tocadas, suas vozes, ritmos, canções e instrumentos ecoam sagrados e inspiradores.

Esta página é composta pelas seguintes seções:

- Irish Music: biografia de um estilo musical;

- Clannbrassil: Irish Music Made in Brazil! (NOVIDADE)

- Claudio Crow Music: meu trabalho com música irlandesa: The Drunken Bards Project, Merrow

- A música e eu: uma ligação de alma e herança musical

Irish Music: biografia de um estilo musical

  • O que é Irish Trad Music?
  • Quais as suas origens?
  • Que elementos formam sua identidade?
  • Que nomes fazem a sua história?

A seguir, uma abordagem evolutiva da música tradicional irlandesa, definições e elementos marcantes.

1. Definindo Irish Traditional Music:

Segundo o Taisce Cheol Dúchais Éireann, ou Arquivo da Música Tradicional da Irlanda,

"Música Tradicional Irlandesa é um termo bastante amplo que inclui diversos tipos de música vocalizada e instrumental, músicas de diversos períodos, como praticadas pelos irlandeses na Irlanda ou fora dela e, atualmente, também por pessoas de outras nacionalidades."

Portanto, a música tradicional irlandesa é vasta e diversificada, e pode ser apresentada por pessoas de diferentes origens. É justamente por isso que, apesar de muitas pessoas se referem à música irlandesa como folk, o termo mais correto é "tradicional", ou seja, com ênfase na tradição - a transmissão do estilo - já que folk, na acepção original, restringiria a música irlandesa à Irlanda apenas.

Atualmente, muitos dos principais exponentes da música irlandesa são norte-americanos e canadenses, sem contar a crescente tradição no Brasil também!

2. Origens

Para se compreender a formação e a história da Irish Trad Music, é preciso compreender a história da própria Irlanda, de seu povo e de sua luta por preservar sua identidade. Afinal, durante o longo e triste período de dominação britânica da Irlanda, todas as manifestações culturais originalmente irlandesas foram sufocadas. Preservar as velhas canções era, portanto, uma forma de patriotismo, de se manter acesa a chama da cultura da Irlanda.

Por sua estrutura, padrões rítmicos, e campo harmônico, a música irlandesa é descrita como 'música européia'. Isso pode parecer óbvio, e de fato é - mas uma comparação com a música flamenca, por exemplo, tão tradicional das terras européias da Espanha, mostra que o óbvio esconde sutilezas: enquanto que o flamenco possui diversos elementos (escalas, ritmos, etc) que podem defini-lo como música oriental, a música irlandesa é tipicamente ocidental.

Eis porque, inclusive, algumas pessoas confundem música medieval e renascentista com música irlandesa: existem diversos pontos em comum, mas não são necessariamente a mesma coisa.

Música Celta e Música Irlandesa

Outro ponto importante a ser esclarecido é a terminologia "música celta". Como praticamente tudo que é descrito como 'celta', há uma grande confusão quando uma canção é definida como sendo 'música celta'. Em termos gerais, o termo 'celta' define a música tradicional das nações celtas - especialmente Irlanda, Escócia e Bretanha francesa - e também a música preservada pelos imigrantes dessas terras celtas nos EUA e no Canadá. De forma alguma, contudo, pode o termo "música celta" referir-se à música produzida e executada pelos celtas da Idade do Bronze, por um motivo muito simples: não há o menor registro de como fosse a música daquela época.

Portanto, podemos dizer que, se o termo "música irlandesa" é bastante abrangente, o termo "música celta" é ainda mais! Ambos se misturam e se mesclam, o que pode soar um pouco confuso a quem estabelece contato pela primeira vez com os estilos, mas a exposição constante e ouvidos atentos logo facilitam a compreensão. (Para saber mais sobre artistas que hoje são descritos como 'música celta', clique aqui)

3. Instrumentos da música Irlandesa

HARPA
Seguramente, o mais característico dos instrumentos tradicionais irlandeses é a harpa. Um dos símbolos nacionais da Irlanda, a harpa tem papel de destaque na cultura irlandesa desde os tempos dos fílidh - os bardos irlandeses. Segundo os relatos de Diodoro da Sicília (Séc. I a.e.a.), "Os celtas possuem poetas que cantam e que são chamados de bardos; eles tocam um instrumento muito semelhante à lira grega". Não por acaso, o mais antigo nome registrado na história da música tradicional irlandesa é o de Toirdhealbhach Ó Cearbhalláin (Turlough O'Carolan), o harpista cego que viveu entre os séculos XVII e XVIII e deixou um legado precioso de notações musicais de sua autoria que, até hoje, são executadas e mantidas vivas pelos músicos tradicionais. Na imagem acima, Moya Brennan, "a voz do Clannad".

UILLEAN PIPES
Outro instrumento típico da Irish Trad Music, as gaitas irlandesas (ou uillean pipes) são a mais complexa - e completa - das variações das gaitas de fole. Existem muitas gaitas de fole por toda a Europa: as mais conhecidas são as gaitas escocesas (Scottish Highland bagpipe), mas há também gaitas semelhantes em outras terras celtas: a gaita galega, a musette bretã, a checa dudy e assim por diante. Todas têm o mesmo princípio: um chanter semelhante a uma flauta produz som graças ao ar que por ele flui oriundo de um fole. As uillean pipes se distinguem das demais por seu fole ser preenchido com ar não por sopro mas através da pressão exercida pelo cotovelo do músico (uillean, em irlandês, significa 'cotovelo'). O som da uillean pipe é notadamente mais melódico e agradável do que o das highland pipes, especialmente porque a uillean pipe é a única que possui pausa, além de possuir duas oitavas completas. Ouvir uma uillean pipe ao vivo, bem tocada, é uma experiência que pode ser descrita como absolutamente mística: sua sonoridade única e as melodias tradicionais são arrebatadoras, especialmente por conta do acompanhamento contínuo das notas que soam pelos drones, os 'bordões'.

FIDDLE (Violino)
Apesar de idêntico ao violino da música erudita, na música irlandesa (assim como na sua 'filha', a Country Music norte-americana) este instrumento é conhecido como 'fiddle' (termo de origem germânica, que remete a uma raiz linguística comum com a palavra 'violino'). Historiadores afirmam que instrumentos semelhantes ao violino já eram conhecidos na pré-história, num vasto território que envolve a massa eurasiana. De fato, há instrumentos de arco na música tradicional da África, da Índia, do Japão e da Europa. Para muitos, o violino pode não ser o mais irlandês dos instrumentos, mas é o mais prontamente identificado com a Irish Traditional Music. À direita, a americana Eileen Ivers, grande virtuosa.

TIN WHISTLE (Flauta Irlandesa)
Este versátil instrumento de sopro pertence à família da flauta doce, sendo, porém, mais simples. Chamado de Feadóg em irlandês, é praticamente idêntico ao flageolet e muito semelhante às flautas nativo-americanas. O outro nome para a tin whistle, 'penny whistle', refere-se ao seu baixo custo, o que a tornou um instrumento muito popular durante os anos em que a população da Irlanda enfrentou graves dificuldades econômicas, durante o domínio britânico. Nesse mesmo período, os marinheiros irlandeses, que se alistavam nas marinhas de praticamente todas as nações, levaram consigo esse instrumento simples e resistente, que passou a ser identificado com as músicas de piratas e navegantes. Na imagem ao lado, a encantadora Andrea Corr e sua tin whistle.

Merece destaque aqui a parente mais complexa da tin whistle: a Irish Flute, da família da flauta transversal. Feita de madeira, seu timbre doce e suave é característico das melodias mais suaves na Irish Trad Music.

BODHRÁN
Como costuma acontecer com instrumentos de percussão, as origens do bodhrán se perdem na noite dos tempos - há quem diga que ele se originou na África e chegou à Irlanda através do contato com as culturas da Península Ibérica, assim como há quem diga que a origem do bodhrán é o Oriente Médio, tendo chegado à Irlanda com as primeiras tribos celtas. E há ainda aqueles que defendem que o bodhrán, apesar de semelhante aos tamborins ao redor do mundo, é uma criação local. Seja qual fora a sua origem, ao contrário do que muita gente pode acreditar, o bodhrán foi um dos últimos instrumentos a ser incorporado ao universo da música tradicional irlandesa. Há registros de seu uso como instrumento para marcar a cadência da marcha de tropas de soldados irlandeses, mas parece certo que ele tenha passado a ser usado como instrumento de percussão musical apenas no séc. XX. Por outro lado, Sean O'Riada, o 'Pai' da música tradicional irlandesa, afirma que o bodhrán é um instrumento nativo da Irlanda e que já era usado desde a Antigüidade celta. John Matthews, prolífico autor de espiritualidade celta, concorda e afirma que "o bodhrán é o candidato natural a tambor sagrado das técnicas xamânicas dos druidas da Antigüidade. Como tudo que cerca o bodhrán é misterioso e mágico, também não se sabe ao certo o nome dado a um "tocador" de bodhrán: duas versões são as mais aceitas: bodhránaí (pronunciado "boráuni") ou bodhrádóir (prununciado "bouradúr") .A verdade é uma só: o bodhrán é o coração que faz pulsar vida na música irlandesa!

CONCERTINA
Chamado em português de 'acordeão diatônico', a concertina é um instrumento tipicamente europeu, pertencendo à mesma família de instrumentos de fole à qual pertencem a sanfona e o bandoneón, tão popular no tango argentino. Na Argentina, inclusive, há quem diga que o bandoneón chegou às terras portenhas levado pelos marinheiros irlandeses que serviam à Marinha Imperial Britânica). Também é uma inclusão recente no universo da Irish Trad Music.

BANJO
A década de 1960 assistiu à consolidação da Irish Trad em sua forma mais 'clássica'. Um de seus nomes mais importantes foi Tommy Maken (ao lado), que importou o instrumento, típico da música 'bluegrass' norte-americana. O banjo é uma adaptação de instrumentos semelhantes de origem africana - entre eles, o mbanza, de Angola. Da África para a América do Norte, desta para a Irlanda - o banjo é uma presença marcante em alguns estilos da música irlandesa.

 

BANDOLIM
Outro instrumento que foi "importado" para a música irlandesa, o bandolim tem origem na Itália renascentista e foi prontamente incorporado à musicalidade irlandesa.

BOUZOUKI
Este instrumento tipicamente grego tem origem na Antigüidade, sendo uma evolução do tradicional pandura, ancestral comum de todos os bandolins e assemelhados. O pioneiro do bouzouki na música irlandesa foi Johnny Moynihan, que adaptou um bouzouki original grego para suas necessidades. Posteriormente, o hoje mítico grupo Planxty popularizou o instrumento, agora chamado de Irish bouzouki, "bouzouki irlandês", graças ao virtuosismo de Andy Irvine e Dónal Lunny.

 

Todos esses instrumentos são ouvidos, com maior ou menor freqüência, nas diferentes formas de Irish Traditional Music. Pela maior versatilidade e disponibilidade, o violão hoje costuma ser até mais popular do que o bouzouki, o banjo e o bandolim. As combinações dependem do estilo de música, da região de origem e, claro, da disponibilidade. Por sua simplicidade, a música irlandesa não define conjuntos típicos; por sua complexidade, a música irlandesa exige destreza e copnhecimento dos diferentes ritmos - que exploraremos a seguir.

4. Música Irlandesa: Estilos e ritmos

Tradicionalmente, a música irlandesa está diretamente relacionada à dança e seus ritmos, andamentos e cadências são realmente contagiosos - como costumo dizer, "é impossível ouvir a música tradicional irlandesa sem bater pelo menos um dedo ou um pé!"

Por conta disso, os nomes de alguns ritmos tradicionais também designam danças - como jigs, reels, hornpipes...

REELS
Em tempo quadrado - 2/2 ou 4/4 -, as reels são músicas bastante animadas, e as mais tradicionais. Costumam seguir um padrão de dois temas, "A" e "B", arranjados em sequência ("A-A, B-B") ou alternados ("A-B, A-B"). Normalmente, um dos instrumentos melódicos dita o tema, que é seguido pelos demais instrumentos; costuma também haver muita improvisação, especialmente dos violinos.

JIGS
A partir das 'gigas' medievais italianas, esta dança em 2/4 chegou à Irlanda, onde foi adaptada para outros andamentos e atualmente é descrita como tradicionalmente sendo em 3/4 ou 6/8 - aparentada, portanto, à valsa e, assim como esta, sedutoramente dançável!

HORNPIPES
Este ritmo, não tão popular quanto as jigs e reels, é bastante intrigante por apresentar síncope - um elemento que diferencia a música irlandesa da música escocesa, por exemplo, e de resto de praticamente toda a música tradicional européia. Muito contratempo, muito "suíngue", que é facilmente identificável por brasileiros graças ao samba e à bossa-nova. Este elemento sincopado, aliás, acabou por ultrapassar os limites das hornpipes e hoje permeita praticamente todos os estilos da música irlandesa, tornando-a ainda mais atraente.

Além desses ritmos, existem também as canções irlandesas, com letras em inglês ou em irlandês, entre as quais figuram também as airs (do italiano ária). Mais introspectivas e, portanto, menos "dançáveis", as canções irlandesas tradicionais costumam falar de amor e saudade, mas também de patriotismo e guerra - o que nos faz lembrar da célebre frase de GK Chesterton:

"For the great Gaels of Ireland / are the men that God made mad;
for all their wars are merry / and all their songs are sad."

("Pois os grandes gaélicos da Irlanda, são os homens que Deus criou insanos:
pois todas as suas guerras são alegres, e todas as suas canções, tristes")

5. Características da Irish Trad Music

Afinal, o que define um artista ou uma melodia como "tradicional"? Para responder a esta questão, recorremos à maior autoridade mundial em música irlandesa: o Taisce Cheol Dúchais Éireann, ou Arquivo da Música Tradicional da Irlanda. Para este órgão vinculado ao Conselho das Artes do Governo Irlandês, as características fundamentais da Irish Trad Music são as seguintes:

É uma tradição popular viva
Ou seja, apesar de ter origem no passado e seu repertório consistir majoritariamente de peças antigas, a música tradicional irlandesa está viva, em constante evolução, "através do descarte de alguns elementos, resgate de outros elementos antes negligenciados, criação de material novo e alteração criativa de repertório pré-existente". Em poucas palavras, ao contrário do que querem alguns "puristas" que não compreendem sua essência e teimam em ver a música tradicional irlandesa como se fosse música clássica, ela está vigorosamente aberta à evolução.


É transmitida de geração para geração

Parte do vigor da Irish Trad Music está no fato de ela ser querida por irlandeses de todas as idades. Isto se deve, em grande parte, à necessidade que os irlandeses têm de resgatar sua identidade cultural após tantos séculos de dominação britânica, que gera neles um orgulho ernome de todos os elementos de sua cultura original.


É aprendida pelo exemplo e não por ensino formal
O que vale dizer que, como costuma acontecer com música étnica ou popular, seu aprendizado não segue a formalidade de métodos e partituras, mas sim pela observação direta de artistas e sua "imitação" - falaremos mais sobre o aprendizado da música tradicional abaixo.

É predominantemente antiga (Séc. XVIII)
Como já vimos, a maior parte das músicas e canções tradicionais irlandesas foi composta nos séculos XVIII e XIX. Mas a grande liberdade de execução dessas músicas desde sua origem faz com que hajam diversas versões diferentes para uma mesma melodia, letras diferentes para uma mesma canção, nomes iguais para músicas diferentes, nomes diferentes para uma mesma melodia... isso se deve ao fato de que...

É predominantemente oral em sua transmissão
Ou seja, uma determinada peça não está consolidada por uma partitura que determine seu tempo, ritmo, acompanhamento, harmonização ou mesmo linha melódica. Cada região, e até mesmo cada músico individual vai interpretar uma determinada música com um 'tempero' próprio.

É música do povo (folk)
Por ser popular, não está restrita à 'elite'. Diversos elementos comprovam isso: a simplicidade dos instrumentos usados (instrumentos mais caros e sofisticados, como piano, cravo, oboé, etc não costumam ser utuilizados na música tradicional irlandesa); a ligação direta com danças populares são dois exemplos claros. Isso, contudo, não faz da Irish Trad Music um estilo 'pobre': ao contrário, a riqueza de texturas melódicas, ritmos e arranjos harmônicos faz da música irlandesa um das mais elaborados estilos da música ocidental.

 


Sua natureza é ' doméstica'
Originalmente, a música tradicional irlandesa não foi criada para execução em teatros ou casas de espetáculos, mas sim para ser tocada em
casas, pubs e festas sociais. As origens rurais estão por trás desta característica, pois era comum que os músicos se reunissem em pubs ou mesmo nas casas uns dos outros para participarem de uma 'seisiún' de música tradicional, promovendo intercâmbio de músicas, técnicas e estilos, enriquecendo sua prática através da improvisação e do contato com outros músicos.


6. Aprendendo Irish Trad Music

Como visto acima, a música tradicional irlandesa "é aprendida pelo exemplo e não por ensino formal". Evidentemente, contar com um instrutor que lhe passe os fundamentos de um instrumento, os diferentes estilos e ritmos e as nuances da música irlandesa ajuda muito. Mas o ponto-chave é mesmo a observação dos artistas renomados e sua "imitação". A seguir, a recomendação do próprio Taisce Cheol Dúchais Éireann:

“O aprender a cantar ou tocar música tradicional depende não só de aptidão inata, mas também de uma grande motivação, exposição freqüente e ouvidos atentos.”

Em termos práticos, o que isso significa?

Significa que, no aprendizado da Irish Trad Music, a ênfase está na prática e no resultado, e não na teoria e no exercício.
 
Como, então, aprender a tocar ou cantar música irlandesa?
 
Existem diversos métodos e partituras escritos... mas este não é o melhor meio: por ser uma tradição oral, o melhor mesmo é a "imitação". E vamos deixar claro: imitação, neste caso, não é a cópia pura e simples, não é reprodução exata das notas e da interpretação de um determinado músico tradicional, mas sim a assimilação das características e do vocabulário musical, para que você possa introduzir seu toque pessoal. Esse processo exige que o músico se exponha o mais possível à música irlandesa, e a forma original - e claro, a mais eficaz - é a observação de músicos ao vivo. Em outros tempos, isso era um problema: praticamente não havia músicos tocando Irish Trad Music no Brasil, e nem todos tinham como ir para a Irlanda com a regularidade necessária... hoje, contudo, a internet torna tudo muito mais próximo.
Assim, sempre de acordo com as dicas do Taisce Cheol Dúchais Éireann, temos cinco fontes possíveis de exposição à Trad Irish Music::

  • Seisiún;
  • apresentações organizadas;
  • concertos e shows;
  • festivais;
  • gravações.

Seisiún
Esta palavra irlandesa tem praticamente a mesma pronúncia da inglesa "session", e basicamente o mesmo significado de uma "jam session" - a reunião de músicos que, sem ensaio prévio, improvisam músicvas tradicionais e/ou compõem instantaneamente peças dentro do estilo tradicional. Praticamente todos os pubs da Irlanda promovem seisiúnna regularmente -especial menção às já clássicas seisiúnna dos pubs de Doolin, cidadezinha no oeste da Irlanda conhecida como "a capital da música irlandesa". Pela ainda pouca quantidade de músicos dedicados ao estilo por aqui, ainda é raro encotnrar no Brasil um grupo de músicos em seisiún, mas já ocorrem com uma certa regularidade aqui em São Paulo, como as oganizadas pelo talentoso músico Ricardo Dias (se você souber de outros locais onde ocorram autênticas "seisiúnna", quero saber!)

Apresentações organizadas
São aquelas em que, apesar de também costuarem acontecer em pubs, o caráter improvisativo é menos presente - as músicas são executadas após ensaio prévio. Na Irlanda, normalmente são patrocinadas pelo Bórd Fáilte (o órgão oficial de Turismo) e anunciadas na mídia. Exemplos destas apresentações no Brasil são aquelas que ocorrem de tempos em tempos em pubs como o O'Malley's e o St. John's em São Paulo, notadamente com o trabalho das bandas Dundalk e The Drunken Merrows.

Concertos e shows
Semelhante às apresentações organizadas, mas em locais maiores - teatros e casas de espetáculos.

Festivais

Na Irlanda, ocorrem festivais de música tradicional praticamente durante todo o ano - mas no verão o fã de Irish Trad enlouquece com eventos grandiosos. Alguns desses festivais - fleadhanna ceoil - são de natureza competitiva, oferecendo-se prêmios aos melhores artistas nas diferentes categorias. No Brasil, está virando tradição a realização de festivais de música irlandesa no St. John's Irish Pub, bem como os eventos em comemoração ao St. Patrick's Day - a festa nacional da Irlanda - em 17 de março, organizadas pelo Irish Institute, e também pelo O'Malley's Pub.

Gravações
Eis a melhor fonte de exposição à música irlandesa para nós, brasileiros - direto da fonte. Assistir a videos e gravações online dos mais renomados artistas é, sem dúvida, a melhor forma de se travar contato com as muitas nuances e texturas da Trad Irish Music. Mas quem são esses artistas que podem nos inspirar?

7. Vultos da Música Irlandesa

A música é seguramente uma das mais preciosas manifestações da alma humana. Por seus feitos, alguns indivíduos ultrapassam os limites de seu tempo e entram para a história como guardiões da tradição musical de um povo. Abaixo, alguns dos nomes mais importantes para a formação da Irish Trad Music.

Turlough O'Carolan
Impossível falar de música irlandesa sem mencionar Turlough O'Carolan, o harpista cego que deixou os primeiros registros da música irlandesa ainda no séc. XVIII. Seu intercâmbio com compositores continentais fez dele um nome conhecido em outras terras, e também garantiu a introdução de outros elementos musicais à sua arte. Sua música era predominantemente composta para a harpa, instrumento tradicional dos bardos e poetas da Irlanda celta, e o fato de O'Carolan atuar como músico itinerante faz dele um herdeiro direto da tradição dos poetas celtas da Irlanda medieval e pré-cristã. Após O'Carolan, muito por força da opressão cultural e política britânica, a música irlandesa não produziu nenhum nome de vulto até seu renascimento já no século XX.

 

Sean O'Riada
O "pai" da música tradicional irlandesa nasceu John Reidy, em 1931, mas logo adotou a versão 'gaelicisada' de seu nome por amor à sua cultura e sua nação - amor que fica evidente já em seu primeiro trabalho de vulto: a trilha sonora composta para o filme "Míse Éire" ("Eu sou a Irlanda", 1951) sobre o nascimento da nação irlandesa. Anos mais tarde, O'Riada criaria e dirigiria o mítico Ceoltóirí Chualann, grupo que resgatou muitas músicas tradicionais que estavam condenadas ao desaparecimento nos rincões rurais da Irlanda e, através de programas televisivos, garantiram que tais músicas fossem conhecidas pelas novas gerações. Do Ceoltóirí Chualann (abaixo) surgiria o mais influente grupo da Irish Trad Music moderna: os Chieftains.

The Chieftains
Desde 1962, The Chieftains é sinônimo de música irlandesa. Graças a seu virtuosismo, sua versatilidade e um profundo conhecimento da alma da música tradicional irlandesa, os Chieftains se tornaram uma referência ao redor do mundo, abrindo diversas portas para a Irish Trad Music - como as muitas trilhas sonoras por eles compostas, e os diversos prêmios Grammy a eles presenteados.
Confiantes e tranqüilos de sua capacidade ímpar em preservar a música tradicional, sempre se mostraram abertos às influências de outros artistas e outros estilos musicais: astros do pop como Mark Knopfler, Elvis Costello, Roger Daltrey, Tom Jones, Sinéad O'Connor, The Corrs, Art Garfunkel e Sting já gravaram com os Chieftains, promovendo uma saudável mescla que garante sua evolução no sécuo XXI e para além.



Seamus Ennis

O mago das uillean pipes, Seamus Ennis rompeu todos os limites do instrumento e definiu a abordagem a ser seguida pelos músicos de gerações futuras. Algumas de suas gravações dos anos 50 sobrevivem como um testemunho à grandiosidade deste gênio da Irish Trad.

 

Clannad

Surgido nos anos 1970, este grupo composto por parentes de uma mesma família (Clannad significa "em família") começaram com uma abordagem bem tradicional, aderindo nos anos 1980 aos instrumentos modernos e eletrônicos e criando um estilo único. Eithne Brennan, mais conhecida internacionalmente como Enya, participou brevemente do Clannad, ao lado de sua irmã, a vocalista Máire (Moya) Brennan. Apesar de Enya ser mais facilmente encaixada na categoria "New Age Music", muitos elementos de suas composições são inegavelmente irlandeses. Na foto ao lado, Enya é a de vestido xadrez.

 

Planxty

Uma "super banda" da Irish Trad Music, pelo Planxty passaram nomes de peso como Paul Brady, Donál Lunny, Andy Irvine e Christy Moore - todos posteriormente estabeleceram uma grande reputação como músicos de Irish Trad Music em suas carreiras solo.


The Bothy Band

Outra "super banda", pela qual passaram nomes importantes, como Matt Molloy, Tríona Ní Dhomhnaill, Dónal Lunny e muitos outros, The Bothy Band ajudou a dar forma à moderna música tradicional irlandesa nos anos 1970. Posteriormente, seus músicos estabeleceram outros projetos igualmente importantes - Matt Molloy juntou-se aos Chieftains, Tríona Ní Dhomhnaill levou seus teclados e encantadora voz ao maravilhoso projeto hiberno-escocês Relativity e ao Nightnoise, Kevin Burke integrou o Patrick Street... por tudo isso, percebe-se uma grande integração e um enorme intercâmbio entre os maiores músicos da música tradicional irlandesa, prova de que gênios nem sempre são sinônimo de egos inflados...

A nova geração da música irlandesa

Nos últimos anos, com a popularização global da Irish Trad Music, novos artistas vêm surgindo - seja como músicos puramente tradicionais ou incorporando elementos tradicionais a estilos mais modernos, como o pop e o rock. Neste cenário, merece menção especial os irmãos do The Corrs que, com maestria, mesclam seu enorme conhecimento da música tradicional irlandesa ao rock e o pop moderno, abrindo caminho para que mais uma geração de apreciadores da Irish Trad Music surgisse ao redor do mundo. Reconhecidos como grandes instrumentistas tradicionais pelos maiores vultos da Irish Trad Music, os Corrs têm um lindo album - adequadamente chamado "Home" - em que tocam somente músicas irlandesas, a maioria tradicional, usando muitos instrumentos tradicionais.

Outro grupo muito importante - e infelizmente pouco conhecido - é o Solas. Composto por músicos irlandeses e norte-americanos, o Solas ("Luz" em irlandês) ficou notório pela enorme capacidade de seus músicos de improvisarem sempre ao vivo - a improvisação é uma característica marcante da música irlandesa tradicional, especialmente em seu "hábitat natural": a "seisiún" (session) nos pubs.

Os californianos do Gaelic Storm ganharam fama mundial como a banda irlandesa tocando nos porões do navio Titanic no blockbuster do mesmo nome. Incluindo diversos elementos do rock a músicas tradicionais e canções próprias com letras muito bem humoradas, o Gaelic Storm foi a primeira banda a ser chamada de "Celtic Rock".

Um pouco mais pesados, as também americanas Flogging Molly, Dropkick Murphys e The Tossers dão continuidade ao estilo "Irish Hardcore" - meio punk, meio Trad Irish - inaugurado anos antes pelos irlandeses do já clássico The Pogues.

Deixando de lado o peso do rock e resgatando a tradição vocal típica das canções "sean nos" (literalmente, "à moda antiga" em irlandês), temos os grupos modernos Celtic Woman e The High Kings. Muitos críticos afirmam que estes dois conjuntos caminham sobre a fina linha que separa o belo do 'brega', mas suas versões de alguns clássicos irlandeses são, sem dúvida, belíssimas.

Celtic Woman
The High Kings

Esta seção sobre música irlandesa é dedicada a todos os meus amigos músicos que compartilham a mesma paixão por este estilo: ao pessoal da Merrow (Mari, Van, Marcão e Felipe); aos irmãozinhos da Dundalk (Ana, Priscila, Rafa e Gustavo), Danielle Ribeiro, Hélcio e toda a turma do Terra Celta, Pablo Piola, Cesinha e pessoal do Leanann Shee, Ricardo Dias, Bruno Maia, Alex Navar, Tuatha de Danann - bem como a todos que, ainda que não toquem algum instrumento, sentem a paixão da música irlandesa pulsando nas veias e na alma. Mas uma dedicatória especial deve ser feita a Gustavo Lobão por seu entusiasmo e por ter mencionado alguns elementos importantes que compõem o texto acima. A todos, go raibh math agat!

Topo

 

Claudio Crow Music: Meu trabalho com música irlandesa

Agora que você já conhece o bastante sobre a música irlandesa, veja abaixo algumas manifestações de minha paixão e devoção por esse estilo musical tão rico e influente:

CLANBRASSIL: Irish Music Made in Brazil!

Em 2008, iniciei o Projeto Drunken Bards para, sozinho ou acompanhado por outros músicos, divulgar a Irish Music no Brasil (ver abaixo).

No início de 2010, após algumas apresentações ao lado de Felipe Goulart e Rogerio 'Rojão' Borrego, a energia harmoniosa da música e da amizade que nos une pediu, e nós atendemos: o que antes era um projeto solo deu liga, ganhou alma, criou força e evoluiu para um grupo, onde a energia de todos os integrantes se funde e se une em nome da inspiração que flui a partir das músicas, lendas e mitos da Irlanda!

CLANBRASSIL é...

...um nome histórico na Irlanda: começando como nome de um clã de nobres senhores de terras, Clanbrassil passou a designar uma região no coração da Irlanda e, em sua origem, é o nome de um antigo reino histórico. O nome faz alusão à ‘Tribo dos Abençoados’ (Clann Breasail) - e agora, é também a ponte direta unindo Irlanda e Brasil através da música…

(Se o nome tem a ver com o nome do Brasil? Aguarde, logo teremos mais sobre o tema nestas páginas!)

CLANBRASSIL: se você já conhecia o Drunken Bards, estamos de novo nome e
com várias mudanças no repertório com o entrosamento, a alegria e a paixão de sempre!

Se não conhecia, é nosso convidado a conhecer toda a magia e a energia da IRISH MUSIC através do trabalho da CLANBRASSIL!


VISITE O MULTIPLY DA CLANBRASSIL

para maiores informações, atualizações, fotos, videos, datas de shows e
em breve MP3 de nossas versões dos clássicos da Irish Music.

 

 

"The Drunken Bards Project"

Em perfeita consonância com a tradição dos bardos celtas da Irlanda, minhas apresentações são uma mistura de música e informação, um painel musical que ofereça à audiência um contato com as tradições da Ilha Esmeralda, suas terras, seus mitos, suas gentes, sua história...

 

Para agendar apresentações e saber datas de shows,
envie-me um
email!

 

A música tradicional irlandesa é muito rica e diversificada: baladas belíssimas, poemas musicados, animadíssimas reels e jigs, canções de beleza tocante... (mais música irlandesa aqui)

Em minhas performances, procuro adequar o repertório a cada ocasião – sempre, claro, entremeando as canções com as histórias, lendas, fatos e curiosidades que as envolvem e que dão à apresentação um conteúdo que leve a platéia a compreender melhor os temas abordados nos versos das letras.

2010 - DRUNKEN BARDS (Rogerio Borrego,Claudio Crow e Felipe Goulart) representando a IRLANDA na XVa Festa do Imigrante (SP)
2010 - DRUNKEN BARDS na XVa Festa do Imigrante (SP) - o sucesso da primeira apresentação rendeu o convite para um show extra na semana seguinte!

2010, DRUNKEN BARDS na
XVa Festa do Imigrante (SP):
tin whistle!

2008 - II Irish Fest no St. John's Pub
(com Van Corradini - Merrow)

2009 - Apresentação solo no
III Irish Fest do St. John's Pub
2009 - show especial de Bloomsday no SESC BAURU: música irlandesa e leitura dramática de James Joyce com o ator Fabio Pinheiro

Meu objetivo é, como os bardos da Irlanda medieval, manter viva a chama e a magia do espírito da Irlanda!

Videos, informações, shows, fotos... Quer saber mais sobre DRUNKEN BARDS?

Claudio Crow / Drunken Bards

no Multiply

Claudio Crow / Drunken Bards

no MySpace Music

O que há num nome...

O nome Drunken Bards Project é um lembrete de que este é um projeto aberto, em andamento, em desenvolvimento. Não se trata de um show fixo, pois o repertório varia; nem tampouco é uma banda, pois os parceiros variam – isso quando não me apresento só!

Com Van Corradini, banda Merrow (2008, O'Malley's Irish Pub, SP)
Encontro de Fãs de Corrs e música irlandesa
(2008, Ibirapuera, SP)

Apresentação solo
Festival do Fogo do Projeto Hera
(2008, Sítio São José, SP)

A flexibilidade do termo “Project” é uma forma de manter este trabalho livre, sem amarras, para que ele – e não eu ou outro indivíduo – tenha a liberdade de se manifestar de forma inspirada e inspiradora.

St. Patrick's Day 2010 -
show especial Drunken Bards (Claudio Crow, Rogerio Borrego e Felipe Goulart)
na Cultura Inglesa (SP)

Com Rogerio Borrego, parceiro de tantos anos, formamos a dupla 'Shebeen' de música irlandesa (2008)

A palavra “Drunken” pressupõe a ‘embriaguez’ trazida pelo contentamento de fazer música – e, claro, a essência da música irlandesa de pub, geralmente regada a muita Guinness...

S. Patrick's Day 2009
The Drunken Merrows from Dundalk, Memorial do Imigrante (SP)

S. Patrick's Day 2009
The Drunken Merrows from Dundalk,

Conjunto Nacional (SP)
S. Patrick's Day 2009:
The Drunken Bards Project,
Claudio Crow, Mari Araújo (Merrow) e Rafael Tortella (Dundalk)
O'Malley's Irish Pub

 

Por fim, a palavra “Bard”... quer saber mais? Clique aqui.

 

The Drunken Merrows from Dundalk - um projeto mágico

Amizade, harmonia, paixão pela música irlandesa: tudo isso é encontrado no trabalho e no convívio dos músicos que formam as bandas Merrow e Dundalk... era natural e óbvio que essa amizade, essa harmonia e essa paixão se cristalizassem num projeto especial que, agregado ao meu trabalho, resultou na super-banda "The Drunken Merrows from Dundalk" - uma brincadeira com os três nomes que em 2009, numa série de shows especiais para celebrar a Irlanda e sua magia, apresentou o melhor da música irlandesa em arranjos especiais e únicos.

Uma experiência única, mágica, que uniu grandes músicos, almas amigas e corações apaixonados pela música tradicional irlandesa.

Quem viu, viu... quem não viu... pode torcer - quem sabe um dia a gente não repete tudo isso?

Nas celebrações de St. Patrick's Day, The Drunken Merrows... se apresentou no O'Malley's Pub, no Conjunto Nacional e no Memorial do Imigrante. (mar. 2009)

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MERROW - Mergulhando com Sereias

No ano de 2008, assisti ao nascimento da banda Merrow - a princípio, como uma banda cover de músicas traedicionais irlandesas e sucessos dos também irlandeses do The Corrs... mas logo mostrando todo o seu talento em composições próprias maduras e consistentes.

O Marcos Reis, percussionista, eu já conhecia de muitos anos - fora meu aluno de druidismo e xamanismo celta e desenvolvemos uma boa amizade. Foi ele que me apresentou os demais membros: Felipe Goulart (violino e voz), Vanessa Corradini (voz e violão) e Marilena Araújo (voz e violão).

Mas a música, por fundamental que seja, foi mero pretexto para um verdadeiro encontro de almas!

Encontro de almas

 

Bastaram dois minutos de conversa, falando de gostos musicais comuns, influências musicais comuns, paixão comum pela Irlanda... e pronto: meu coração decretou que aqueles quatro eram também minha família. Sempre fomos da mesma tribo!

Nada a estranhar, portanto, que subíssemos juntos a diversos palcos, sobretudo para tocar música irlandesa tradicional.

Foram vários shows - tudo começou de forma simples e espontânea num sarau promovido pelo Projeto Hera em 2008...

Mais tarde, duas participações em conjunto nos "Irish Fest" no St John's Irish Pub;

E veio muito mais:

- "Celtic New Year" no O'Malley's Pub;

- "Festival Cara Irlanda" (St. Patrick's Day);

- Café Aman;

- "XIVa. Festa do Imigrante" no Memorial do Imigrante (SP);

- Centro Cultural São Paulo;

- "IV Irish Fest" no St. John's Irish Pub...

Na segunda metade de 2009, tamanha era a nossa proximidade e tantos eram os shows e eventos que fui convidado a ingressar na banda em definitivo. Aceitei com muita honra!

Por diversos meses, até o final do ano, fui membro efetivo da Merrow - mas meus outros projetos musicais - bem como minhas atividades como instrutor de druidismo e cultura celta, sem falar nas delícias de ser pai de família! - tornaram meu tempo já escasso ainda mais ocupado. Ao final de 2009, grato pela experiência e trazendo a amizade deles no coração, deixei a banda.

Mas claro, meu trabalho solo com música irlandesa continua, através do DRUNKEN BARDS PROJECT!

A música e eu

Do rock à música tradicional irlandesa, a música sempre fez parte da minha vida.

Neto de um maestro, filho de um multi-instrumentista amador, sobrinho de professores de piano e saxofone, seresteiros... cedo ou tarde, era inevitável que essa veia musical latejasse e exigisse atenção...

Eu cresci ouvindo de tudo: de MPB a heavy metal, de samba a rock progressivo, da música clássica ao pop... fosse o rádio da minha mãe, os LPs de minha irmã ou as fitas cassete de meu pai, nossa casa quase nunca estava em silêncio. Meu primeiro contato com um instrumento musical foi aos 14 anos, quando comecei a tocar guitarra, inspirado pelas bandas de rock dos anos 1970 e 1980. Pouco tempo depois, em 1986, subi ao palco pela primeira vez, com a banda Metropolis, participando do famoso FICO – o festival de música do Colégio Objetivo, em São Paulo.
(acima, três gerações de Quintinos na música: eu, meu pai e a placa na cidade de São Pedro que leva o nome de meu avô, Maestro Benedito Quintino - na foto à direita, primeiro show, primeiro palco: FICO, 1986...sou o da direita - quanto cabelo!)

Ao longo de minha juventude, formei e participei de várias bandas de rock, nenhuma com grande destaque (à esq., banda Jolly Roger, 1992). O ritmo da vida acabou por me afastar por alguns anos dos instrumentos, mas a amizade com artistas do quilate das bandas Merrow e Dundalk despertou novamente em mim o desejo irresistível de dar à minha inspiração uma voz.

Logo eu estava novamente com um violão ao pescoço, fazendo participações especiais nas apresentações dessas duas bandas queridas – e não levou muito tempo para eu perceber o óbvio: a minha veia musical se unia ao meu amor pelas coisas da Irlanda.

O resultado, claro, foi a definição de um repertório com alguns dos maiores clássicos da música irlandesa que me permitisse mostrar outra faceta do universo dos bardos: a música que informa.

Em 2008, minha participação no “Samhain – Ano Novo Celta no O’Malley’s” – ao lado da Merrow e da Dundalk – marcou minha volta aos palcos. Logo depois, veio o III Irish Fest do St. John’s Pub, e apresentações esporádicas indicavam que um novo projeto estava já em andamento...

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- Seção inaugurada em Imbolc (01.02) de 2009.
- 2a. atualização: Imbolc de 2010.

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