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Os
celtas – e em especial, os Druidas - são uma paixão
antiga: desde minha adolescência, ao ler as deliciosas aventuras
criadas pelos franceses Uderzo e Gosciny para Asterix,
um "gaulês da Gália celta", apaixonei-me pela figura
sábia, justa e fascinante do druida Panoramix.
Nos quadrinhos é ele quem prepara a poção mágica
que dá força sobre-humana a quem dela bebe. Em mim, Panoramix
e seus amigos despertaram uma curiosidade mágica de saber quem
eram os celtas. Pus-me a pesquisar.
Numa era anterior a googles, yahoogrupos e outras facilidades modernas, minha fonte de pesquisa eram livros - importados, praticamente todos, pois não dispúnhamos de muitos títulos em português. E como importei livros... mitologia, arqueologia, história - tudo que se relacionasse aos celtas em geral e aos druidas em particular.
Foi essa sanha por conhecimento que me pôs em contato com o trabalho de importantes autores acadêmicos, como Simon James, James MacKillop, François LeRoux, Nora Chadwick, Barry Cunliffe, Proinsias McCana, Jean Markale e Miranda Green. Suas obras forneceriam as bases históricas de meu trabalho.
Pois ao ler sobre o druidismo, sua profunda conexão com a natureza, sua filosofia profunda acerca das coisas do espírito, entendi que não podíamos estar falando de algo do passado, que não existisse mais.
Como
poderia uma religião que enaltece a paisagem ter desaparecido?
Como uma filosofia que reconhece a sacralidade da vida em todas as suas
formas não existiria mais? Como aceitar que uma sociedade em que
as mulheres tivessem mais direitos do que hoje ficasse relegada ao passado?
Pus-me a pesquisar mais e mais.
Foi então que resolvi ir ter com as terras e lugares celtas eu mesmo. Inglaterra e, principalmente, Irlanda, por duas vezes me receberam. Visitar as paisagens que inspiraram aquela espiritualidade que muitos julgavam desaparecida foi um experiência transformadora: numa tarde chuvosa, sobre a sagrada Colina de Tara (ao lado) - o coração espiritual da Irlanda Celta -, percebi que meu espírito tinha encontrado o caminho de volta para casa.
Ao conhecimento dos autores acadêmicos acima mencionados somei o trabalho inspirado de autores como John e Caitlín Matthews, Philip Carr-Gomm e Emma Restall Orr que, pautados no mesmo apreço pela historicidade, lançaram as bases para o resgate da espiritualidade celta para nossos dias. A partir dali, esse seria meu caminho.
Divulgar o druidismo de forma séria e sem mistificações, através de minhas palestras, artigos e livros - escritos e traduzidos - tornou-se um ofício e um prazer. A amizade com Emma Restall Orr e John Matthews enriquece meu trabalho, e também traz responsabilidades: em 2001, tive a honra de ser indicado pela própria Emma Restall Orr como representante no Brasil da British Druid Order e, atualmente, a Druid Network. Desde 2002, venho ministrando ininterruptamente cursos de druidismo para aqueles que, como eu, buscam um espiritualidade profundamente transformadora e alinhada com nossos dias. |
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Nos textos a seguir, coloco a seu dispor o fruto de meu aprendizado e minha experiência no druidismo - afinal, como sempre digo a meus alunos, "ter acesso ao conhecimento é um dever de todos; transmitir conhecimento é um dever de quem tem."
Uma seção especial foi criada para divulgar e esclarecer fatos pertinentes à cultura celta em geral. Como ocorria na sociedade celtas, as duas seções – Celtas e Druidismo - são independentes, mas se complementam e se fundem. Se a princípio você se interessa mais por uma do que pela outra, verá que, inevitavelmente, uma levará à outra. Escolha por onde começar: deixe-se levar pelo fascínio que os temas exercem.
Espero que, de alguma forma, as palavras que se seguem sejam capazes de transmitir ao amigo internauta toda a magia, a profundidade, o encantamento e a paixão que o druidismo desperta em mim a cada dia.
Claudio Quintino Crow / | \
Junho de 2007
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