Os druidas formavam a classe de sacerdotes-filósofos
da sociedade celta da Europa Ocidental. Contudo, o druidismo não
é um fenômeno pan-célitco, isto é, não
é encontrado em todas as regiões onde os celtas se instalaram.
Por que isso acontece? Para se compreender melhor o processo de formação
do druidismo, vamos abaixo narrar, de forma bem sintética, a evolução
dos celtas desde seu surgimento até sua expansão máxima
(clique aqui para mais sobre os celtas).
Depois
de seu surgimento na Europa Oriental por volta do segundo milênio
a.e.a., os celtas se expandiram pelo continente europeu em sucessivas
ondas migratórias, chegando à Europa Ocidental entre
os séculos VII e VI a.e.a. Quando as primeiras tribos celtas
chegam às regiões hoje conhecidas como França,
Ilhas Britânicas e Península Ibérica, aquelas
áreas já eram ocupadas por culturas coletivamente
conhecidas como povos neolíticos, dos quais sabemos muito
pouco, dada a escassez de registros. O que sabemos por seus vestígios
arqueológicos é que eram uma cultura de agricultores
e astrônomos – seus conhecimentos precisos |
![]() Stonehenge costuma ser associada aos druidas, mas sua construção é anterior à chegada dos celtas à Grã Bretanha. |
sobre
a movimentação dos astros e corpos celestes lhes permitiu
a construção de formidáveis estruturas megalíticas
como Newgrange na Irlanda, Carnac na França, Avebury e Stonehenge
na Inglaterra. A chegada dos celtas àquela região
aparentemente pôs em contato essas duas culturas e, do contato
entre elas, surge uma espiritualidade que funde os elementos originais
trazidos pelos celtas (de cunho notadamente indo-europeu) e as características
dos povos autóctones da região. Ao resultado dessa
fusão, portanto, dá-se o nome de druidismo. |
|
Numa figuração ilustrativa, é como se a religião dos povos que já habitavam o Oeste europeu fosse uma espiritualidade “amarela” que, mesclada à espiritualidade “azul” trazida pelos celtas, desse origem a uma espiritualidade “verde”: o druidismo. Assim, elementos religiosos notadamente comuns a praticamente todos os povos de origem indo-européia – como os celtas – se fundem a outros elementos que dão ao druidismo suas características singulares. O desenvolvimento do druidismo permanece pouco conhecido desde suas origens até os primeiros contatos entre os celtas e a cultura clássica mediterrânea, pois a escrita não era utilizada pelos celtas; é somente a partir dos registros de gregos e romanos que os celtas – e o druidismo – finalmente entram para a história oficial. Esses primeiros registros nos fornecem um retrato um tanto quanto distorcido do que era o que hoje costumamos chamar de “Druidismo Clássico”.
“Os filósofos, como nós os chamamos, e os homens versados em assuntos religiosos são especialmente honrados entre os gauleses, que os chamam de druidas. Os gauleses também se valem de adivinhos, tendo-os na mais alta estima; esses homens prevêm o futuro através do vôo ou do canto das aves e do sacrifício de animais sagrados, e toda a população lhes é obediente... É seu costume não praticar nenhum ritual sem um desses ‘filósofos’, pois as oferendas aos deuses devem ser feitas pelas mãos daqueles que conheçam a natureza do divino, e que falem, por assim dizer, a língua dos deuses. É também por intermédio desses homens que eles recebem suas bênçãos.”
- Diodorus Siculus, v, xxxi
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O
parágrafo acima, retirado da obra do historiador Diodoro
da Sicília, nos fornece um retrato bastante interessante
do druidismo no séc. I a.e.a. Através dele, pecebemos
que os druidas desempenhavam a função de sacerdotes,
oficiando rituais, mas também tinham outras funções
importantes, como mestres das artes oraculares. Muitas outras funções
são atestadas por outros escritores clássicos. Julio
César, em sua “De Bello Gallico”, informa-nos
que “uma grande quantidade de jovens se reúne ao redor
deles (os druidas) para receber instrução, e por isso
são muito honrados”. Portanto, desempenhavam também
a função de instrutores. Ainda Julio César:
“Na verdade, são os druidas que resolvem quase todas
as disputas, públicas e privadas. E se um crime tiver sido
cometido, se tiver ocorrido um assassinato ou se houver uma disputa
sobre sucessão ou fronteiras, são também os
druidas a decidir sobre eles, determinando as penas e as compensações.”
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| Estereótipo
vitoriano de um druida |
Neste trecho, a descrição é dos
druidas como juristas e magistrados. Recorrendo a outros autores clássicos
que sobre eles escreveram, vemos que os druidas “são
mestres em muitas artes” (Pomponius Mela) e “também
costumam discutir os astros e seus movimentos, a grandiosidade do mundo
e da terra e sobre a natureza das coisas” (César);
eles “estudavam a ciência da Natureza” (Estrabão),
as “ciências merecedoras de conhecimento” (Ammianus
Marcelinnus), os “cálculos e a aritmética”
(Hipólito) e “as leis da Natureza, que os gregos chamam de
fisiologia” (Cícero). Os registros nos mostram ainda
que os druidas eram mediadores em conflitos inter-tribais, atuando como
verdadeiros diplomatas, e também eram os responsáveis pela
preservação de sua história e suas tradições
– o papel de historiador e mitógrafo.
A transmissão de todo esse conhecimento se dava através
de versos, o que faz com que os druidas fossem, também, poetas.
Muitas das lendas e mitos, bem como as linhagens sagradas de reis e divindades,
eram preservadas e transmitidas por uma categoria especializada de druidas
- os bardos - através de versos e músicas - portanto, entre
os druidas havia também musicistas.
Sacerdotes, conselheiros, diplomatas, juristas, filósofos, historiadores, poetas, músicos, curandeiros, xamãs: dadas as múltiplas funções dos druidas, parece natural que, segundo Julio César, fosse necessário estudar de doze a vinte anos para se tornar um druida.
O aprendizado se dava em centros druídicos, como os registrados na região de Carnutes, no centro da Gália (atual França) e também na Ilha de Môn (atual Anglesey, no País de Gales). Para esses centros confluíam dezenas, talvez centenas de jovens aspirantes a druidas. Ao contrário do que se especula, os druidas não formavam uma casta fechada – segundo Jean Markale, um dos mais importantes autores sobre o tema, “qualquer indivíduo, independente de classe social, tinha acesso à ordem, desde que se submetesse ao longo, árduo e necessário ciclo de aprendizado. Resumindo: um indivíduo se tornava um druida tanto por vocação quanto por provação.” Florestas como a de Carnutes não eram somente locais de assembléia. Os druidas não construíam templos, pois criam que, para adorar os deuses da natureza, o melhor a fazer era integrar-se a essa natureza. Um local de culto dos druidas recebe o nome de Nemeton (literalmente ‘bosque sagrado’). O próprio termo ‘druida’ está relacionado às árvores – uma tradução aproximada dos componentes originais da palavra é “aquele que tem a sabedoria do Carvalho”, árvore por eles venerada. Vimos também que eles dedicavam-se ao estudo das leis da natureza. Some-se a isso o fato de celebrarem seus rituais em meio a bosques sagrados e temos no druidismo uma autêntica “espiritualidade verde”.
Mas
é bom deixar claro que nem druidas, nem celtas eram “ecologistas”,
hippies “paz e amor” ou tranqüilos “mestres zen”:
a cultura celta, como todas as de origem indo-européia, era belicosa
e a guerra era parte dessa sociedade. Muitas disputas, até mesmo
entre druidas, eram decididas na ponta da espada. Estamos falando da Idade
do Ferro européia. O fato inquestionável, contudo, permanece
que a cultura celta possuía – como costuma acontecer em sociedades
não urbanas – uma íntima e profunda ligação
com a Natureza e seus ciclos; isso fica claro nos festivais sagrados celebrados
pelos druidas em cada uma das estações do ano, honrando
a transformação e as mudanças da paisagem e dos ciclos
da vida. Quando as legiões romanas invadiram as terras celtas,
trazendo consigo os conceitos da urbanização e da guerra
de anexação, o druidismo sofreria um golpe fatal. A última
cena da resistência celta na Gália foi a deposição
de armas do grande líder gaulês Vercingetorix, que havia
unido diversas tribos celtas sob seu comando para resistir aos invasores
de Roma – feito que confirma o fato de ser o próprio Vercingetorix
um druida. A cena se repetiria na Grã-Bretanha, onde o movimento
de resistência mais famoso foi a revolta da Rainha Boudicca, também
ela uma druidesa. Mas tais movimentos se mostraram insuficientes ante
o poderio das legiões romanas. Em pouco tempo, o mundo celta –
e especialmente o druidismo – sucumbiria.
As
sandálias dos legionários romanos jamais puseram os pés
na Irlanda, e é por isso que aquela bela ilha continua a ser uma
das mais importantes fontes para a recuperação de informações
sobre os celtas e os druidas. Por pelo menos mais três séculos
após a conquista romana das terras celtas da Gália e da
Grã-Bretanha, o druidismo continuou a florescer em terras irlandesas,
só vindo a ser ameaçado com a chegada do cristianismo, já
por volta do séc. V, primeiro através do missionário
Palladius e depois por S. Patrício, padroeiro da Irlanda. O isolamento
geográfico e a distância da Sé em Roma, porém,
deu ao cristianismo irlandês características peculiares,
como o não-proselitismo, a admissão de mulheres como episcopisas,
a permissão do casamento entre os membros do clero e, principalmente,
uma busca pelo Divino através de meditações em eremitérios
e pequenos mosteiros espalhados por todas as regiões da Irlanda.
Muitos dos textos dos monges cristãos irlandeses são verdadeiras
odes às forças da Natureza – uma evidente sobrevivência
dos princípios druídicos. Foram esses monges irlandeses,
aliás, que preservaram em belíssimos manuscritos medievais
muito do que conhecemos hoje dos mitos e lendas dos deuses celtas da Irlanda.
Tais textos seriam fundamentais para a restauração do druidismo
séculos mais tarde.
(Conheça muito mais sobre o druidismo irlandês visitando
a seção especial 'Irlanda'
aqui)
Em 1717, o irlandês John Toland
e o inglês John Aubrey fundaram a Druid
Order, a 22 de setembro – o Equinócio de Outono.
Toland era um católico, mas tinha grande interesse em temas ocultos
– como ocorria com grande parte da sociedade inglesa de então.
Aubrey escrevera um livro sobre Stonehenge e outros círculos de
pedras, atribuindo-os aos druidas. Outro nome importante nessa época
é o de William Stuckeley, um reverendo inglês
que em 1720 funda a Sociedade dos Antiquários
(os precursores da arqueologia). Stukeley, que em seu círculo de
amizades tinha Sir Isaac Newton, também escreveu um livro sobre
Stonehenge, chamado “Stonehenge Restored to the British Druids”
(“Stonehenge devolvida aos Druidas”). Era um ávido
pesquisador da alquimia e de outras ciências ocultas, e via no druidismo
uma oportunidade de conciliar sua verve cristã com seus interesses
ocultos. Mas foi o poeta e ilustrador
William
Blake quem contribuiu de forma definitiva para a consolidação
deste período do druidismo. Ele cria uma estrutura para a Druid
Order, afirma que “os druidas e bardos eram monoteístas e
patriarcais” e que descendiam de Abrahão. Para ele, a Grã-Bretanha
era a bíblica Terra Prometida e Cristo havia sido crucificado num
carvalho. Como se pode perceber, nesta fase o rigor histórico dava
lugar a uma desesperada tentativa de se conciliar o cristianismo com uma
pseudo-história fantástica e com tradições
ocultas, como a alquimia. Em 1781, surge a Ancient
Order of Druids, outra ordem que apostava na mesma fórmula
cristianismo / druidismo / ocultismo. Seu fundador, Henry Hurle,
inspirou-se claramente na Maçonaria escocesa para desenvolver a
AOD. Ela ainda existe como entidade filantrópica e conta atualmente
com cerca de 3000 membros na Grã-Bretanha.
Mas a principal personagem do Renascimento Druídico do séc. XVIII ainda estava por aparecer. Um autodidata nascido em Glamorgan (País de Gales) dotado de grande interesse pela cultura celta e um profundo senso patriótico, Edward Williams faria de tudo para dar ao povo galês uma identidade que contrastasse com a cultura imposta pelos ingleses. Tudo mesmo – até forjar textos e tradições. Williams ganhou notoriedade quando, no dia 21 de junho de 1792 – o solstício de verão – realizou um ritual de inauguração de sua Gorsedd (assembléia de druidas) em plena Londres, em Primrose Hill. Com esse rito em praça pública, Williams queria chamar a atenção dos ingleses para seu passado celta. E a partir dali, Williams seria mais conhecido por sua alcunha: Iolo Morganwg. Criava-se a Gorsedd dos Bardos Britânicos, que existe até hoje na forma da Fraternity of Druids, Bards and Ovates of Britain. Anualmente, ainda são celebradas competições poéticas entre os bardos, que declamam exclusivamente em galês, preservando assim sua cultura.
O elemento comum a todos os nomes acima citados era um legítimo interesse na história ancestral da Grã-Bretanha, um nacionalismo exacerbado e uma enorme dose de criatividade. Iolo Morganwg publicou um livro chamado Barddas, cujo conteúdo seriam as antigas tradições dos Bardos do País de Gales. Sabe-se que ele realmente pesquisou a fundo os mitos e lendas de sua terra, mas quando não encontrava a informação que desejava, ele não hesitava em “criar” a verdade.
Farsante
ou não, o fato é que Iolo Morganwg foi fundamental para
o renascimento do druidismo. Seria difícil alguém sucedê-lo.
E de fato, as figuras que se seguiram eram todos ocultistas de pequena
monta, que introduziram elementos do cristianismo gnóstico, do
hinduísmo e até das tradições egípcias
ao que eles chamavam de druidismo. O mundo do ocultismo fervilhava com
ordens iniciáticas, sociedades secretas e irmandades. Por toda
a Grã-Bretanha, ordens druídicas pipocavam aos montes, sempre
alardeando sua grande ancestralidade, sempre misturando tradições
ocultas diferentes, sempre reservadas a um grupo fechado de homens –
somente homens. A idéia de que Stonehenge era obra dos druidas
ainda perduraria muitos anos, pois não se dispunha de métodos
como o carbono-14 para datar monumentos...
Com a chegada do séc. XX, Londres é o centro do ocultismo mundial. Figuras como Aleister Crowley, Helena Blavatky e tantos outros nomes importantes povoam as suas ruas, e tradições como a Ordo Templo Orientis (O.T.O.), a Golden Dawn, a Maçonaria e os Rosa-Cruzes atraem centenas de simpatizantes. O druidismo neste período não passa de mais uma tradição oculta, uma sociedade secreta com pouco ou nada a ver com o druidismo original.
Esse quadro só começa a mudar na década de 40, quando um estudioso escocês chamado Robert MacGregor-Reid, influenciado pela literatura da época, decide introduzir na sua ordem druídica elementos voltados ao paganismo apresentado por autores como Sir James Frazer e Margaret Murray. O druidismo começava a voltar para casa.
| Nessa época,
a visão distorcida dos druidas apresentada pelos autores do
século XIX já não era mais aceita. Ninguém
em sã consciência poderia continuar propagando noções
de que os druidas eram canibais, por exemplo, ou que fossem descendentes
de Noé... os avanços na antropologia e na arqueologia
começavam a fornecer um quadro mais claro de quem haviam sido
os verdadeiros druidas. Mais consistente, o druidismo agora atraía
pessoas sérias e influentes, como o futuro-primeiro ministro
britânico Sir Winston Churchill. |
![]() Winston Churchill em sua admissão na Albion Lodge da Ancient Order of Druids em Blenheim Palace, 15/08/1908 |
Nessa época, Ross Nichols, membro da AOD, pesquisava o calendário celta original, e apresentou à liderança da ordem textos que descreviam os festivais celtas. Sempre tradicionalistas, os líderes da AOD recusaram-se a aceitar a sugestão de introduzir esses festivais no calendário de celebrações druídicas, pois “desde sempre a AOD celebra os solstícios e equinócios e nada mais.” Desolado, Nichols apresenta suas descobertas a outro membro da AOD, um folclorista e místico que, poucos anos depois, inclui essa informação em sua maior criação: uma “antiga tradição celta” que teria sido preservada no interior da Inglaterra, por grupos fechados de bruxas. O nome desse folclorista era Gerald Gardner, e a tradição por ele criada é a wicca. Quanto a Nichols, em 1964 ele rompe com a AOD, muito fechada e elitista para seu gosto, e funda a Order of Bards, Ovates and Druids (OBOD). Finalmente, Nichols pôde reintroduzir os elementos celtas originais ao calendário druídico! |
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Nichols foi um prolífico escritor, e deixou um legado inestimável sobre druidismo. Seu sucessor, o atual líder Phillip Carr-Gomm, cristalizou os elementos pagãos da OBOD, ainda que a ordem mantenha um certo formalismo. Uma divisão da OBOD é a British Druid Order, ou BDO, fundada por Philip Shallcrass na virada dos anos 70. Pouco depois, Shallcrass conheceria uma jovem druidesa de cabelos negros e de grandeza de espírito proporcionalmente inversa à sua baixa estatura, uma jovem que mudaria o cenário do druidismo e se transformaria na maior figura do druidismo atual: Emma Restall Orr. Originalmente ligada à OBOD, Emma não se conformava com alguns anacronismos e posturas rígidas daquela ordem. Procurou Shallcrass, interessada em ingressar na BDO e, tão logo foi aceite, assumiu a co-liderança da Ordem. O que se seguiu foi uma revolução. Introduzindo as mais recentes descobertas da arqueologia e da história, a BDO apresenta um druidismo sólido, com fortes bases teóricas, mas livre do hermetismo e do ocultismo das outras tradições. Some-se a isso a sensibilidade de Emma Restall Orr, os fortes elementos xamânicos redescobertos pelos historiadores e temos um pacote completo. Para que se possa avaliar melhor, o eminente estudioso do paganismo Ronald Hutton, Professor Titular de História da Universidade de Bristol, é ele próprio um membro da Druid Network, e contribui assiduamente com suas pesquisas e conhecimentos.
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Ross
Nichols |
Philip
Carr-Gomm |
Emma
Restall-Orr |
Prof.
Ronald Hutton |
É graças a essa filosofia de se desenvolver um druidismo responsável e historicamente embasado que logo a BDO se torna uma das mais fortes organizações druídicas da Inglaterra – e logo atrai associados em outros países. Esse processo de internacionalização do druidismo promovido pela BDO levou Emma Restall Orr a reformar a Ordem, deixando seu aspecto regional e tornando-a uma organização mais ampla, que visa a congregar grupos e indivíduos praticando o druidismo no mundo todo. Nascia a DRUID NETWORK.
Espalhada em praticamente todos os continentes, a Druid Network possui
células estruturadas nos Estados Unidos, no Canadá, na Alemanha,
na França, na Austrália, na Nova Zelândia e, agora,
também no Brasil – todas elas com o mesmo compromisso de
apresentar de forma honesta a História, a inspiração,
a poesia e a magia do druidismo.
Chegamos assim aos dias atuais. Através de mais de três milênios
de história, a longa e sinuosa estrada do druidismo desemboca à
nossa frente. Uma estrada por vezes clara, por vezes não mais do
que uma trilha, por vezes duplicada, por vezes impossível de trilhar.
Acima de tudo, porém, o druidismo atual é uma tradição
espiritual válida, pois soube evoluir e se adaptar às necessidades
de seu tempo. Como diz Jean Markale em Les Druides, “o que sobreviveu
foram os princípios do druidismo, pois estes jamais poderiam desaparecer.
E a partir deles surge a busca apaixonada do neo-druidismo”. E como
diz Emma Restall Orr em Ritual: um guia para a vida, o amor e a inspiração,
"o druidismo é uma espiritualidade profundamente arraigada na terra, mas que se renova a cada novo amanhecer. É uma tradição que honra nossa terra, os mundos interno e externo, os espíritos da terra, do mar e dos céus, os espíritos de nossos ancestrais; é uma filosofia que possui em sua essência a exploração da relação sagrada, de espírito para espírito."
Uma definição viva, pulsante de energia, que mostra a alma do druidismo moderno.
© 2002, 2005, 2007 - Claudio Quintino
Crow – Trechos do texto retirados da Apostila “Druidismo –
História do Druidismo”
Registrado na Biblioteca Nacional – Lei Federal 9.610/98.
Proibida a reprodução total ou parcial da obra sem a prévia
e expressa autorização por escrito do autor.
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