Irlanda:
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Desde a inauguração
deste website, sentia um desejo incapaz de ser apaziguado de prestar esta
homenagem ao espírito da Irlanda - suas terras, sua história,
suas gentes, sua magia. Em nenhum momento advogo a estas páginas qualquer rigor acadêmico: pelo contrário, o que motiva o fluir das palavras é a inspiração que a Irlanda me desperta. Claro, essa inspiração é informada por diversas fontes acadêmicas, mas a mola motriz é a paixão. História e lendas, magia e progresso, pessoas e deuses, cidade e campo - na Irlanda, as fronteiras entre essas esferas simplesmente não existem (ao menos por ora...). Então, como se costuma dizer por lá, Céad míle Fáilte - Cem mil boas vindas às paginas da Irlanda em claudiocrow.com.br! Por que a Irlanda?"Eu
não estava preparado para o que aconteceria naquela manhã,
quando pela primeira vez avistei a Irlanda pela janela de um avião.
Depois da longa jornada noturna, finalmente eu via , através dos
retalhos de nuvens, a terra verde e amaciada pela chuva. E fiquei movido.
Minha pele se arrepiou. Tive a sensação de que algo invisível
se erguia em minha direção, como partículas atômicas.
Uma espécie de pó fino, formado de bilhões de mensagens
embaralhadas, enviadas a mim pela silenciosa terra verdejante. Transcendendo
os séculos - talvez os milênios. Erguendo-se para além
do mundo compreensível e suas histórias, para falar comigo. - Pete Hamill, The Long Circle Home (in "Irish Spirit") As palavras acima são de Pete Hamill, um jornalista novaiorquino - mas poderiam muito bem ser minhas - seu eu tivesse a mesma capacidade de escrever bem. Assim como Pete Hamill, em minha primeira visita à Irlanda eu não sabia ao certo o que eu buscava. Só sabia que era necessário fazer essa jornada praticamente sagrada - uma peregrinatio, uma busca de mim mesmo. Segundo a poetisa irlandesa Mary O'Malley, "todas as jornadas, não importa o seu destino, são circulares. Elas começam e terminam com você mesmo, a sós, e o destino nem sempre é o mais importante. Mas eles importam o bastante." Minha jornada começara muitos anos antes...
Paralelamente
- se é que cabe dizer isso -, minha sede de conhecer cada vez mais
sobre os celtas já me devorava, e todas as fontes apontavam para
a Irlanda como um manancial primordial de conhecimento sobre os celtas.
Nesse mesmo período ocorreu o lançamento dos primeiros video-clips
da cantora irlandesa Érin go BrághConhecer a Irlanda tornou-se
um desejo - mais que um desejo, um sonho - mais que um sonho, uma obsessão.
E uma bem difícil, a meu ver, de se tornar realidade. Eu ansiava
pela Irlanda à distância, como um personagem shakespeariano
anseia por sua amada distante - amor não correspondido, separados
por um oceano. Mas espíritos enamorados sempre dão um
jeito de se unir! Qual Oisin em busca de sua Niamh no Outro Mundo, pus-me
a cruzar o Atlântico em busca não de Hy-Breasil (a "Ilha
dos Abençoados, um dos nomes do "Paraíso" celta),
mas em sentido inverso - em busca de Éire. Sem saber, minha alma
ecoava o grande bardo Amergin no desembarque dos milesianos: "I
seek the Land of Ireland", eu clamo pelas terras da Irlanda... "Ser
irlandês não é, por princípio, uma questão
de nascimento ou linhagem de sangue, ou de linguagem: ser irlandês
é envolver-se com a situação da Irlanda - e, no mais
das vezes, ser por ela ferido." A importância da IrlandaComo podemos atestar noutras sessões deste website, a Irlanda é fonte fundamental para as pesquisas celtas em termos sócio-culturais, tendo sido vital para o surgimento e desenvolvimento do druidismo ancestral e contemporâneo, além de atrair admiradores ('hibernófilos') por sua gente alegre e hospitaleira, por sua influente música tradicional e pop, pelos luminares da literatura recente e por suas inspiradoras paisagens. Nas páginas a seguir, estes e outros temas serão abordados com o máximo de embasamento histórico, mas sem descuidar da paixão que as terras irlandesas, sua cultura e sua história despertam em todos nós. Dos celtas a São Patrício, da sacralidade da paisagem à música pop, das diversas manifestações culturais modernas à literatura, tudo isso receberá o devido carinho. O mesmo carinho com que as terras de Ériu sempre me receberam. Faço minhas, então, as palavras de Amergin - o maior poeta da Irlanda: Eu
clamo pelas Terras de Éire; Um
encantamento de habilidade, Grande
Senhora Éire: Eu clamo pelas terras de Éire. (Estas páginas foram ao ar pela primeira vez a 01 de agosto de 2008 - festival celta de Lughnasadh) |
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