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Irlanda:
1.Introdução > 2.Celtas
(Tara) > 3.Cristianismo
> 4.Medievo > 5.Vikings
> 6.Normandos >
7.Domínio Britânico > 8.A Grande Fome > 9.Inglaterra: Amor e Ódio > 10.Levante da Páscoa > 11.Irlanda Livre > 12.Partição > 13.Tigre Celta O Estado Livre Irlandês
É importante lembrar que estamos em 1917, e a Coroa Britânica ainda está às voltas com os esforços da I Grande Guerra. Com a ameaça de uma Irlanda rebelada, que poderia servir de flanco para os inimigos alemães, os ingleses não têm outra alternativa senão impor uma lei marcial sobre os irlandeses, proibindo-os de formarem associações e organizarem comícios e outras manifestações públicas. Qualquer gesto que desafiasse o domínio britânico – o simples ato de assobiar uma música nacionalista ou de fornecer o nome a um policial britânico no idioma irlandês – era motivo para prisão. É nesse cenário que a estrela de de Valera começa a brilhar. Ao lado de outros parlamentares eleitos para representar os cidadãos irlandeses na Câmara dos Comuns em Londres, de Valera lidera a criação do primeiro parlamento totalmente irlandês – em desafio ao Império, e diante da imprensa local e britânica. A princípio, os britânicos não reagiram – ainda criam tratar-se de mais uma na interminável lista de estranhos e mal-fadados movimentos patrióticos que pontuavam a história da Irlanda. Mas a coisa tomou vulto, e a criação do Dáil Éireann (o parlamento irlandês) é de fato o primeiro passo rumo à independência.
Surge um grupo de guerrilheiros, chamados de Irish Volunteers e que, logo, passariam a formar o Exército Republicano Irlandês - Irish Republican Army ou, simplesmente, IRA. Suas ações contra os britânicos não são de confronto direto, mas de táticas de guerrilha e sabotagem. Com a população irlandesa, suas ações eram a intimidação e o terror. A resposta britânica foi à altura: o envio de soldados veteranos que trajavam (por falta de recursos) uma mistura de uniformes militares diferentes – alguns cáqui, outros pretos – e que, por isso, ficaram conhecidos como os “Black and Tans”. Além do uniforme, suas principais características eram o rigor e a violência – o cenário estava criado para mais derramamento de sangue.
Em paralelo, de Valera era eleito o primeiro líder do Dáil, ocupando um posto que equivalia ao de primeiro-ministro de uma Irlanda rebelde, mas ainda vinculada ao Império Britânico. De Valera é o principal nome na consolidação da constituição do Estado Livre Irlandês, e logo o Dáil aprova uma emenda que transforma o posto de Príomh Aire – primeiro-ministro – em presidente de fato. Eamonn de Valera, torna-se, então, o primeiro governante da Irlanda rumo à sua independência. Como já visto, contudo, as coisas na Irlanda nunca são assim tão simples. Em 1921, quando de Valera designa uma comissão de políticos irlandeses para negociar o “Tratado Anglo-Irlandês” dando-lhes plenos poderes, as fissuras que dividiam a política irlandesa surgem de forma dramática – os nacionalistas se dividem entre os radicais, que querem de pronto total independência, e os moderados, que aceitam um status intermediário que cria o Domínio da Irlanda, submisso a Londres, mas com a autonomia que caracterizava, à época, nações integrantes do Império Britânico como o Canadá, por exemplo. Para piorar, o “Tratado” ratificava a Partição: com a fidelidade britânica das províncias do norte – que formariam a Irlanda do Norte, ainda hoje parte do Reino Unido -, o sonho de uma Irlanda unida em sua independência era sepultado. Essas divergências, claro, acentuaram os conflitos: mais uma vez, a Irlanda se transformava num vasto campo de batalha.
Ao assinar
o Tratado, Michael Collins afirmou, "Acabo de assinar minha sentença
de morte". Com efeito, não tardaria até ele ser assassinado
por radicais republicanos. A paz ainda estava longe. |
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