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Símbolos Desde a inauguração deste website, sentia um desejo incapaz de ser apaziguado de prestar esta homenagem ao espírito da Irlanda - suas terras, sua história, suas gentes, sua magia. Trata-se de
um tributo e uma retribuição, em agradecimento a tudo que
há décadas a 'Ilha Esmeralda' vem me oferecendo - tanto
em termos de inspiração, aqui, à distância,
quanto durante minhas visitas àquelas terras. História e lendas, magia e progresso, pessoas e deuses, cidade e campo - na Irlanda, as fronteiras entre essas esferas simplesmente não existem (ao menos por ora...). Então, como se costuma dizer por lá, Céad míle Fáilte - Cem mil boas vindas às paginas da Irlanda em claudiocrow.com.br!
Por que a Irlanda? "Eu
não estava preparado para o que aconteceria naquela manhã,
quando pela primeira vez avistei a Irlanda pela janela de um avião.
Depois da longa viagem noturna, finalmente eu via, através dos
retalhos de nuvens, a terra verde e amaciada pela chuva.
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Tudo isso - agora não tinha mais jeito! - já tinha encontrado seu lugar em meu coração.
Tudo isso era agora parte de mim. Tudo isso, contudo, estava... tão longe!
Conhecer a Irlanda tornou-se
um desejo - mais que um desejo, um sonho - mais que um sonho, uma obsessão.
E uma bem difícil, a meu ver, de se tornar realidade. Eu ansiava
pela Irlanda à distância, como um personagem shakespeariano
anseia por sua amada distante - amor não correspondido, separados
por um oceano. Mas espíritos enamorados sempre dão um
jeito de se unir! Qual Oisin em busca de sua Niamh no Outro
Mundo, pus-me a cruzar o Atlântico em busca não
de Hy-Breasil (a "Ilha dos Abençoados, um dos nomes
do "Paraíso" celta), mas em sentido inverso - em busca
de Éire.
Sem saber, minha alma
ecoava o grande bardo Amergin no desembarque dos milesianos: "I
seek the Land of Ireland" - eu busco pelas terras da Irlanda...
1996:
naquele Sete de Setembro, independi-me do Brasil e, pela primeira vez,
toquei a carne daquela a quem até então só amara
em espírito. Desembarcando em Dublin, iniciei a arriscada aventura
de conhecer de fato aquilo que até então era para mim só
idealização... o potencial de frustração,
nesses casos, é imenso. Mas eu fui à Irlanda no espírito
do "aquilo que vier, vem bem". Éire, a deusa celta que
ainda hoje empresta seu nome à República da Irlanda, retribuiu
com carinho. Acolheu-me. Afagou-me. Educou-me. Embriagou-me. Seduziu-me.
Possuiu-me. Tocou-me fundo na alma. Mostrou-se sem fantasias. Revelou-se
de cara lavada. Ao viajar pelo interior da Irlanda, ao sair dos caminhos
usuais do turista, conheci a Irlanda como ela é. E amei-a ainda
mais... Amantes de verdade são sempre um espelho, e no processo
passei a me conhecer muito melhor também. Minha primeira viagem
foi transformadora. Tive de voltar. Tenho de voltar. Sempre. Érin
go Bragh - o slogan nacionalista significa "Irlanda
para Sempre". No meu coração, na minha
alma.
Lia
Fáil, na Colina Sagrada
de Tara - Coração espiritual
da Irlanda. (1996)
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"Ser
irlandês não é, por princípio, uma questão
de nascimento ou linhagem de sangue, ou de linguagem: ser irlandês
é envolver-se com a situação da Irlanda - e,
no mais das vezes, ser por ela ferido." -- Conor Cruise O'Brien, político e escritor irlandês |
Como podemos atestar noutras sessões deste website, a Irlanda é fonte fundamental para as pesquisas celtas em termos sócio-culturais, tendo sido vital para o surgimento e desenvolvimento do druidismo ancestral e contemporâneo, além de atrair admiradores ('hibernófilos') por sua gente alegre e hospitaleira, por sua influente música tradicional e pop, pelos luminares da literatura recente e por suas inspiradoras paisagens.
Nas páginas a seguir, estes e outros temas serão abordados com o máximo de embasamento histórico, mas sem descuidar da paixão que as terras irlandesas, sua cultura e sua história despertam em todos nós. Dos celtas a São Patrício, da sacralidade da paisagem à música pop, das diversas manifestações culturais modernas à literatura, tudo isso receberá o devido carinho. O mesmo carinho com que as terras de Ériu sempre me receberam.
Faço minhas, então, as palavras de Amergin - o mítico primeiro poeta da Irlanda:
Eu busco pelas Terras de Éire.
Poderoso é seu frutífero mar,
Frutíferas suas compactas montanhas,
Compactos os bosques úmidos,
Úmidas as cascatas de rios,
Cascateantes os tributários dos lagos,
Com tributários as nascentes a jorrar nas colinas,
A jorrar as pessoas às assembléias,
Assembléias do Rei de Tara,
Tara, colina das tribos,
Tribos do povo de Mil,
Mil das naus e barcos,
Naus da poderosa Éire,
Éire, poderosa e verdejante.
Um habilidoso encantamento,
Habilidade das esposas de Bres,
Bres, das esposas de Buaigne,
Grande Senhora Éire:
Erémón molestou-a,
Ír e Éber por ela clamaram –
Eu busco pelas Terras de Éire.
(“Canção da Irlanda” de Amairgin - 'Leabhar Gábala na hÉireann')
(Estas páginas foram ao ar pela primeira vez a 01 de agosto de
2008 - festival celta de Lughnasadh)
1a atualização: Imbolc 2011
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