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Símbolos Os Vikings na Irlanda
Pela primeira vez desde a chegada dos mitológicos milesianos - ou, em termos históricos, dos celtas goidélicos -, as terras de Irlanda eram novamente invadidas em grande escala por forasteiros. No ano de 795, Vikings noruegueses que já costumavam pilhar o norte da Grã-Bretanha fizeram sua primeira incursão na Irlanda, atacando os ricos mosteiros insulares de Inishmurray e Inishboffin, no litoral ocidental. Novos ataques se seguiriam, cada vez com mais freqüência, a ponto de os vikings estabelecerem colônias em solo irlandês. As modernas cidades de Wexford, Waterford, Cork e Limerick, além da atual capital, Dublin (abaixo), foram todas fundadas por esses 'estrangeiros claros' (fingaill, que é como os irlandeses identificavam os vikings).
O sucesso das incursões vikings foi potencializado pela ausência de um sentimento nacional entre os irlandeses - a Irlanda era fragmentada em pequenos reinos, assim como os mosteiros cristãos eram independentes uns dos outros. Refletindo a tradição celta de independência e autonomia tribal registrada pelos romanos séculos antes, na Gália, esses pequenos reinos da Irlanda viviam em constantes conflitos entre si - e o mesmo vale para os mosteiros! Num procedimento que hoje soa bizarro - mas que é perfeitamente compreensível dentro de um enfoque histórico céltico -, eram travadas verdadeiras guerras entre monges de mosteiros rivais - numa delas, por exemplo, ocorrida em 760, as comunidades cristãs de Clonmacnois e Durrow travaram uma sangrenta batalha que resultou em centenas de mortos de ambos os lados - só entre os monges de Durrow, mais de duas centenas perderam a vida ou foram gravemente feridos... Monges irlandeses eram cristãos, mas, antes de mais nada, eram... irlandeses! Por conta dessa desunião territorial e política, não havia na Irlanda um exército nacional, nem mesmo um líder único, que unificasse as defesas da Irlanda contra os invasores vikings. Uma vez estabelecidos em suas colônias em terra firme, os vikings se tornam também eles alvo de ataques - tanto dos irlandeses que se lhes opõem - os vikings de Dublin chegam a ser expulsos entre 902 e 914 - quanto de outros vikings rivais. Mas a presença dos saqueadores nórdicos na Irlanda não se limita à pilhagem e à guerra: em algumas áreas, irlandeses e vikings desenvolvem uma certa afinidade, mesclando suas culturas e, no caso de alguns irlandeses, até mesmo abandonando o cristianismo e adotando o paganismo nórdico. Durante os conflitos, a população resultante dessa missigenação, conhecida na Irlanda como gall-gaedhil ("irlandeses estrangeiros"), mostrou-se pouco confiável tanto por um lado quanto pelo outro, pois lutavam ora contra, ora a favor de um dos grupos. A
influência viking na Irlanda jamais tomou a ilha como um todo, limitando-se
apenas às áreas mais próximas do litoral e avançando
ilha adentro somente ao redor de Dublin. Ainda assim, é preciso
atribuir aos vikings a criação das primeiras cidades irlandesas,
a evolução da navegação e a introdução
das primeiras moedas. A esta altura, graças a sua posição
privilegiada, Dublin era um dos mais prósperos portos da Europa
ocidental. Unificando
todos os reinos rivais sob seu comando, Brian Boru foi
o primeiro Ard-Rí ('Grande-Rei'*) de toda a Irlanda que
não pertencia ao outrora poderoso clã Uí Neill. Por
volta do ano 1005, sob Brian Boru, a Irlanda estava unificada - um fato
histórico que encontra eco imediato na literatura medieval britânica
que fala da ascensão ao trono de um rei que unifica todos os reinos
da Grã-Bretanha: Arthur.
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2007,
2008, 2010 - Claudio Quintino Crow – Conteúdo do site registrado
na Biblioteca Nacional – Lei Federal 9.610/98.
Proibida a reprodução total ou parcial da obra sem a prévia
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