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Irlanda:
1.Introdução > 2.Celtas
(Tara) > 3.Cristianismo
(St. Patrick) > 4.Medievo
> 5.Vikings > 6.Normandos
> São Patrício, St. Patrick, Paddy...Da vida do santo às celebrações mundiais do Dia de St. Patrick, esta seção é dedicada a entender quem é São Patrício, padroeiro da Irlanda - história e mito, milagres e magia que se mesclam para encarnar a alma dos irlandeses... Para entender St. Patrick“No
Brasil, o ano só começa depois do Carnaval”.
A frase é surrada - e um pouco exagerada - mas é perfeita
para ilustrar a importância do Carnaval para a cultura local. No
âmbito espiritual, a data mais importante do brasileiro é
o dia 12 de outubro - Dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
E em termos de civismo, o dia mais importante é o Sete de Setembro,
em que os brasileiros comemoram a Proclamação da Independência,
o nascimento da nacionalidade.
O Dia de São Patrício, carinhosamente chamado pelos irlandeses de Paddy’s Day, é a data nacional da Irlanda. Celebrado a 17 de março, marca a data em que, reza a lenda, o santo responsável pela cristianização da Irlanda faleceu. Mas quem foi São Patrício? MAWEYN
SUCCAT
Patrício e os Druidas Ao contrário
do que acontecera em outras terras celtas, à época da chegada
de Patrício (oficialmente, em 432) a Irlanda permanecera livre
da influência do Império Romano – e, portanto, ainda
não havia sido cristianizada. O desejo de Patrício de para
lá levar a Nova Religião obviamente encontraria resistência
por parte da população local – especialmente se ele
tivesse recorrido às então comuns práticas da perseguição
às tradições pré-cristãs - como ocorrera
em outros locais. Não é o que registram as lendas de Patrício. Apesar de alguns relatos de confrontos entre Patrício e os druidas - representantes da espiritualidade original dos irlandeses -, o processo de conversão da Irlanda é um dos mais pacíficos de toda a Europa, quase inexistindo “mártires de sangue” (indivíduos que morrem em nome do cristianismo). O zelo dos primeiros monges cristãos irlandeses em preservar, nos famosos manuscritos irlandeses, as crenças e os costumes da Irlanda pré-cristã confirmam uma transição relativamente pacífica do druidismo para o cristianismo.
Mesmo assim, algumas passagens interessantes dos feitos de Patrício dão conta de verdadeiros duelos mágicos entre o evangelizador cristão e os sacerdotes e filósofos da Irlanda celta. Num desses confrontos, Patrício desafia a autoridade espiritual dos druidas ao acender uma fogueira Pascal no alto da Colina de Slane. Ao avistarem a fogueira a partir da vizinha Colina Sagrada de Tara, os druidas irlandeses partiram ao seu encontro e o que se seguiu foi um confronto de magia do qual o santo, obviamente para os redatores das suas histórias – saiu vencedor. Serpentes De fato, não existem espécies nativas de serpentes irlandesas - nem depois, nem antes de Patrício (como já observara séculos antes o geógrafo romano Solinus). Noutra passagem, ele entra em confronto direto com um grande druida de nome Lochru. Em seu embate, o Santo ergue Lochru no ar a grande altura, fazendo-o cair em seguida sobre rochas pontiagudas e tirando-lhe, assim, a vida (uma passagem que seguramente ecoa outro confronto da mitologia cristã, entre o apóstolo Pedro e Simão Mago). Gamo Mas segurmente o mais interessante feito atribuído a Patrício é a sua capacidade de assumir a forma de um gamo. Por sua pregação cristã, Patrício costumava atrair a ira de druidas que, nalguns momentos, dirigiam-lhe ataques. Numa ocasião, Patrício diriga-se a Tara, capital da Irlanda celta, na companhia de Bénen, seu seguidor. Para escapar de uma emboscada, ele transforma a si e a Bénen em dois gamos, que passam desapercebidos pelos seus perseguidores. Vemos aqui o eco de uma conhecida técnica xamânica dos druidas da Irlanda, conhecida como féth fiada – “a maestria da névoa” – em que o usuário se torna invisível, amiúde assumindo a forma de um animal. Na passagem em questão, Patrício e Bénen são transformados através de uma oração proferida pelo Santo de evidente cunho xamânico: a famosa prece do “Peitoral de São Patrício.” O Peitoral de São Patrício Esta prece,
muito conhecida pelos irlandeses, é atribuída a São
Patrício, mas é seguramente anterior à sua chegada.
Alternativamente conhecida como “O Grito do Gamo”, “O
Peitoral de São Patrício” é um poderoso encantamento
de proteção, daí o nome “Peitoral” (em
latim, “lorica” é a pequena armadura peitoral
usada pelos legionários). Esse encantamento segue as fórmulas
poéticas dos druidas e bardos da Irlanda celta. Atualmente, existem
várias versões levemente diferentes – a que se segue
é uma das mais completas. A despeito
das muitas referências cristãs, diversos elementos desta
belíssima prece são inequivocamente pagãos em seu
conteúdo – especialmente a evocação aos Elementos
e forças da Natureza nos versos em IV e as tradicionais fórmulas
protetivas em V e VII. Sincretismo O resultado de uma transição do tipo não poderia ser outro: muitos elementos da espiritualidade da Irlanda pagã são acolhidos pelo cristianismo (um processo que em muito se assemelha ao sincretismo afro-cristão que caracteriza a espiritualidade do brasileiro). Se, como visto acima, mitos pagãos são atrelados à imagem de Patrício, por outro o próprio Patrício é o veículo para a sobrevivência das crenças e lendas druídicas. Um belo exemplo disso é um diálogo mantido entre Patrício e o nobre Oisin, guerreiro-poeta e filho de Fionn MacCumhaill. Disposto a converter Oisin ao cirstianismo, Patrício tem de lidar com a força e o orgulho do velho guerreiro, que despreza a nova religião. Durante toda a discussão, Oisin lamenta o estado deplorável em que se encontra a Irlanda desde a morte de Fionn e o fim dos gloriosos fianna, dizendo que os homens não são mais valorosos e que a terra é mal administrada. Ao ouvir de Patrício que a alma de Fionn está no inferno, ele anseia por sua morte – “quero ir também eu ao inferno, para libertar meu líder!” Diante do orgulho do velho herói, Patrício é obrigado a desistir de convertê-lo. Com a autoridade de sua nobreza, Oisin despede-se de Patricio: "minha história é triste – e o som de sua voz não me agrada. Não será por Deus que verterei meu pranto, mas porque Fionn e os fianna não vivem mais entre nós”. O
“outro” Patrício
A despeito da escassez de dados que atestem sua canonização, sabemos que uma das forças por trás da popularização do Dia de São Patrício foi o influente clérigo irlandês Luke Wadding (Séc. XVII) que, como membro do comitê que revisou o Breviário católico, fez dele constar o dia 17 de março como dia do santo irlandês. Nascia oficialmente o Dia de São Patrício. Celebrando o Dia de São Patrício “Todo
mundo é irlandês no dia de São Patrício!” No dia 17 de março, essa frase ecoa por todo o mundo: da Irlanda à Austrália, dos Estados Unidos à Argentina e até mesmo em países sem grandes colônias irlandesas – como a Coréia e recentemente o Brasil – mais e mais pessoas vestem verde (a cor nacional da Irlanda) para celebrar o orgulho de ser irlandês – nem que seja somente por um dia!
Este é um dia festivo em que, sob as bênçãos do santo católico, diversos aspectos da cultura irlandesa são enaltecidos – especialmente a música tradicional, a alegria de viver e, claro, a cerveja Guinness - sinônimo líquido da alma irlandesa...
Globalização
Em Londres, os muitos pubs irlandeses ficam lotados, e até mesmo as praças e parques são ponto de comemorações e celebrações (abaixo, Paddy's Day em Trafalgar Square).
No Brasil, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, os pubs irlandeses apresentam shows de bandas de música tradicional irlandesa – já é uma tradição o show dos irlandeses do Murphy’s Law no O’Malley’s, o mais irlandês dos pubs irlandeses de Sampa.
Assim, se
você deseja curtir o dia de Saint Patrick, vista orgulhosamente
uma camisa verde, vá ao pub irlandês mais próximo,
peça uma Guinness (ou uma cerveja verde, ou um whiskey, ou...),
erga seu copo bem alto e grite, com toda força: “SLÁINTE!”
(saúde, em irlandês...) São
Patricio era um nobre, FELIZ DIA DE ST. PATRICK!
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